sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Jardim de Inverno
Os loucos sabores de nós dois passeiam agora pelo céu-da-boca da multidão - nosso gôsto na boca de estranhos e risos atrasados depois - sempre queremos mais daquilo que o ciúme enxerga e do que o amor pode superar. Uma oração endereçada a todos os santos e estamos aqui outra vez, um de frente para o outro sem saber o que dizer, mas com veneno na cabeça.
Eu tive uma idéia. No segundo andar, há um jardim de inverno atrás dos pilares. Há um balanço de dois lugares e muitos jasmins amarelos.
Na ordem: óleo, meu corpo jasmim, o frio a nos embalar e cabeças envenadas.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Os três biquinhos de Carência
Estava completamente apaixonado por ela, mas me consumia de vergonha de contar para alguém que estava gostando da filha da empregada, uma pessoa tão pobre. Um dia eu contei pro João Victor, meu melhor amigo e ele quis conhecer a Carência, então convidei-o para ir na minha casa à tarde jogar vídeo-game. Ele achou a Carência muito bonitinha e ela sorriu pra ele de um jeito estranho quando passou um filme na televisão que eu nunca tinha visto, mas que eles já tinham assistido e ficavam conversando um com o outro sobre o filme. Nunca senti tanto ciúme na minha vida, fiquei emburrado, desliguei a televisão e mandei Carência voltar pro quarto dela, que não ficava bem pra uma empregadinha ficar de trelelê com os patrões. Ela obedeceu. De cabeça baixa. Se arrependimento matasse, eu morria ali mesmo! Coitadinha da Carência!! Ganhei uma bronca do João Victor, que me chamou de nazista, fascista e de um monte de coisa que a gente nem tinha aprendido na escola ainda.
O João Victor também se apaixonou pela minha Carência e eu acabei brigando de soco com ele no pátio da escola e rompemos nossa amizade para sempre. Aí naquele dia, com o olho todo roxo e com o coração acanhado, eu abri meu coração para a menina. Ela ficou assustada e chorou. Chegou a ficar vários dias sem falar comigo. Perguntei o que havia acontecido e ela falou que a mãe dela ficou muito zangada com a minha declaração de amor, disse que eu era um moleque rico e petulante e que as duas iam ser mandadas embora se minha mãe descobrisse tudo isso. Aí fui eu que chorei muito, mas eu não podia contar nada para a minha mãe. Eu percebi que depois daquele dia, Carência também começou a gostar de mim e então eu perguntei para a minha mãe se nós podíamos ser amigos e se Carência podia brincar no computador comigo. Minha mãe deixou, mas me alertou sobre os perigos da pré-adolescência. Fingi que nunca havia escutado aquilo antes e prometi ser o filho mais comportado do mundo. Carência adorou o computador e cada dia mais se interessava por programas mensageiros e perfis em sites de relacionamento.
Era pela internet que o nosso amor se realizava todos os dias. Carência era meu primeiro amor, um amor tão forte que me desconcertava. Um dia eu pedi pra ela me beijar e ela não quis, porque tinha medo da mãe dela ser demitida, então eu insisti e falei que ninguém ia ficar sabendo. Ela não quis e eu me conformei.
No outro dia, ela pediu pra eu tirar uma foto para ela colocar no perfil, então peguei o meu celular e tirei uma foto dela, uma bem linda. Ela fez um biquinho como se estivesse me dando um beijo e sob sua blusinha branca, pude ver os outros dois biquinhos pontiagudos que pareciam querer furar a camiseta. Eu não conseguia parar de olhar aquela foto, só pensava em Carência e nos seus três biquinhos e em como eu desejava tocá-los! Céus... eu estava realmente muito apaixonado.
No dia seguinte, cheguei da escola disposto a revelar a todos na casa sobre minha paixão e deixar claro que se Carência fosse mandada embora, eu iria junto com ela. Estava decidido! Ao chegar em casa, porém, encontrei outra empregada e o relógio que marcava as horas da minha felicidade parou para sempre. Eu só pensava nos três biquinhos de Carência. A página dela na Internet nunca mais foi atualizada e a minha vida perdeu completamente o sentido desde então. Minha mãe chora muito ao me ver assim, tão jovem e debilitado pela depressão. Ela jura que foi Solange quem pediu para ir embora e que não deixou nenhuma forma de contato. Meu pai, que mora nos Estados Unidos veio me ver e disse que iria pagar um detetive particular para encontrá-las. Enquanto isso, eu vou definhando... e pensando nos três biquinhos de Carência.
sábado, 19 de julho de 2008
decadence avec elegance
O mascate lembrou daquela moça por causa dos anéis, vendidos por uma ninharia dias atrás. Ele viu as jóias abandonando os belos dedos, como uma tripulação desesperada em meio ao naufrágio. Deixou o brechó com a vitrolinha debaixo do braço. Era só o que lhe restava.
O dinheiro recebido pelo vison foi gasto com um táxi, com um vestido de noite e com um par de sapatos novos. O sanduíche de mortadela entusiasmou o seu estômago... e a vitrolinha ficou no boteco.
E se foi, pisando firme, como quem ainda poderia ser feliz, destoando no luxo trivial de um lanche no balcão do bar. Estava pronta.
Circunstancial. Suas raízes eram perenes.
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Uma parceria com Hesidro Lanoia
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Janelas Alteradas
Ontem, uma janela pluvial
desenhou minha saudade
e tocou uma música melancólica,
escorrendo desejos intocáveis
no lado seco da vida.
Hoje minha janela é passarinho
com asa de vidraça cicatrizada,
cantando para um sol que me percebe,
mesmo tão pequena...
Hoje, as cicatrizes brilham mais.
Amanhã, minha janela precisa ser você...
venha com sol ou com chuva
e encoste os lábios no vidro.
Quero um beijo que não será sentido...
um sorriso embaçado
e um olhar de janela emperrada
que não se abre.
terça-feira, 8 de julho de 2008
Piromaníaca
Revolucionária, queimei alguns colchões e como punição, me deixaram alguns dias sem comer. Muito bom, eu precisava mesmo queimar algumas calorias. Dureza é ter que aguentar este chuveiro com a resistência queimada... não gosto de banho frio.
domingo, 8 de junho de 2008
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Cancioneiro
o seresteiro
belo feito
céu de fevereiro,
limpo, infinito, estrelado
sob o manto da lua,
disfarçado,
um coração requestado
canta de mim
no beijo
plantado na cova
do queixo
há música,
sim
em escala musical
desordenada,
o antes e o depois
em poesia desenhada
no cancioneiro
de nós dois
Meu dinheiro sur(real)
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II. A garça abatida na nota de 5
As botas brancas de plástico, arrastam pelo pescoço longo, uma ave fleumática em direção à câmara gelada. Cisnes perplexos assistem a tudo do alto dos arranha-céus envidraçados.
“Adeus, Biguá... partirei para nunca mais”
Sim, caros cisnes... a vida das garças não é nenhum conto-de-fadas.
As botas plásticas retornam solitárias, tingidas de vermelho, forradas com penas brancas. Cumprida a missão, são rapidamente substituídas por chuteiras, pois a seleção canarinho continua sendo esperança de alegria para milhões de brasileiros, obrigados a abater uma garça por dia no restaurante a quilo.
Dez garças analgésico-dançarinas fabricam sorrisos nas mãos calejadas e aliviam pequenas dores de cabeça.
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III. A história da Arará
Ações corriqueiras:
O cliente se dirige ao terminal bancário, costura as informações solicitadas e imediatamente, o terminal lhe entrega uma pequena lata. O cliente abre o lacre, retirando do interior da lata um saquinho de juta com a quantidade de moedas de ouro desejadas.
“Este terminal agradece sua preferência” – dizia a máquina. Sempre foi assim até que...
O Caos estabelecido:
Sobrecarga no sistema! As linhas do tele-atendimento estão interditadas porque nesta madrugada, uma Arará fez seu ninho dentro de um terminal eletrônico, provocando pânico dentro do shopping center.
O terminal automático, (sempre tão simpático), estava engasgado e não cuspia mais as moedas de ouro. De sua boca fina e retangular, escapava uma revoada de aves alegres, que buscavam abrigo nos bolsos dos clientes estupefatos.
Em nota exclusiva, o presidente da Casa Económica afirmou possuir uma licença do Instituto Nacional do Meio Ambiente (INAMA) para trocar ouro por Arará dentro do território nacional e advertiu: criar este animal em cativeiro constitui crime ambiental passível de prisão. “Façam suas notas circularem livremente pelo comércio e não esqueçam: uma ararinha sozinha não faz verão” – disse em tom otimista, cometendo uma gafe contra as andorinhas.
E foi assim que tudo aconteceu. É por isso que, sempre que alguém solicita 50 (sur)reais ao terminal bancário, recebe 5 Ararás, fáceis e rápidas de gastar.
Cuidado com a falsificação: Ararás verdadeiras não falam palavrão.
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IV. Micos que pagam pequenos sonhos dourados
O mico-dourado, "existido" da costela de leão, é Deus das suas próprias idéias raras e luminosas, tão raras que estão ameaçadas de extinção.
De tanto pagarem o mico, a divindade enriqueceu e anualmente, se esbalda em bailes de máscaras venezianos. O luxo do carnaval italiano é para poucos: raros prismáticos, brilhantes primatas que pagam pequenos sonhos dourados da parcela mais humilde da população em troca de votos.
A brincadeirinha inocente com a costela do rei, havia ido longe demais. A extinção é a maneira que o Criador encontrou de destruir seus pequenos caprichos, mas apenas aqueles que ousam brilhar mais do Ele.
A pane na máquina funcional
do automóvel:
atropelar;
da epidemia:
dizimar;
da lâmina:
decepar;
do projétil:
ferir;
do concreto:
ruir;
do Homem:
mentir;
do ciclone
é varrer o chão
da madeira
é virar caixão
da gilete:
cortar a veia
e da pá:
enterrar na areia
do fogo, o
incêndio
da mágoa:
o vilipêndio
(... chega)
anjos interrompidos
afogados em óleo lubrificante
imploram por uma
solução funcional
óbvia e urgente:
Deus
Ex machina
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Colibri desvalorizado
Os homens de branco vieram e prenderam o beija-flor na camisa-de-força. Ele caiu sedado e dormiu entre as paredes verdes do meu bebed'ouro de jardim.
No sonho demente, viu pétalas coloridas em espectro ultravioleta, orvalhadas e açucaradas lambendo-lhe com exagerado erotismo. Copulou em cápsulas.
Acordou com feridas na boca, asa empolada, trauma no bico e imuno-deprimido,
o beija-flor não resistiu.
Sua mente aprisionada, impedida de voar, provou o gosto amargo do néctar da morte, na nota suja de hum real.
O Colibri é trôco que não pára dentro da carteira.
sábado, 24 de maio de 2008
A Feira dos Livos Bêbados
Todos aguardavam ansiosos pelo "Bosta", que iria abrir a Feria do livro declamando um dos seus desconhecidos poemas. Preocupada com a demora, a intrépida organizadora do evento cultural foi até o hotel onde "O Bosta" estava hospedado e o encontrou nu e bêbado, desmaiado na cama ao lado de mulher esculachada.
"Minha Nossa... ela nem depilou as pernas antes de dar..."
"Intrépida" arrastou-o até o banheiro e o acordou com beijos de língua, chupadas vigorosas e masturbações no pau. Excitado, o Patrono a colocou de quatro e a penetrou violentamente, depositando em suas entranhas quase-virginais, toda sua bagagem esporro-literária.
- Ohh, que delícia, Patrono! Mas precisamos ir, meu filho! Há uma cidade toda esperando por você, Escritorzinho!
- Eu sou o Bosta! O Patrono que devora seu livrinho (ic) sua vadia int... intr...répiada! Imbecil.
- Credo, você está muito bêbado... mas vamos assim, mesmo. "Aposto como ele nem reparou que sou toda depiladinha, um pitéu"
Chegando lá, o Escritorzinho de Bosta fez o que tinha que se feito e foi aplaudido por todos.
O prefeito, comovido, deu por esgaçada, rasgada e violentada, a I Feira do Livro Bêbado da pequena cidadezinha interiorana de Pernas de Cá.
"Intrépida" tomou o microfone das mãos do prefeito, antes que "O Bosta" desmaiasse em cima do púlpito:
- Violentem os livros e se deixem violentar por eles! Boa Feira a todos!
Em seguida, ela levou "O Escritorzinho" para seu apê e eles fizeram sexo por três feiras do livro consecutivas. Nem dava tempo de depilar as pernas... "huhuhu que homem"
sábado, 26 de abril de 2008
Relógios Biológicos
- e eu te pego às vinte e uma e quinze para chupar seu pau
- eu te pego às vinte e uma e trinta para sugar teus seios e às dez em ponto, começo a morder teu grelo e chupar sua vulva, acabando em torno de dez e quinze, dez e vinte.
- Entao, em torno de dez e quinze e dez e vinte, eu deixo você me penetrar de quatro, podendo atingir o orgasmo entre dez e trinta e dez e quarenta.
- Acredito que para uma primeira relação sexual, deverei atingir o orgasmo em torno de dez e vinte e quatro, mais ou menos. Mas em seguida, retomamos a penetração e em torno de onze horas, estarei ejaculando pela segunda vez.
- Certo, eu devo atingir o clímax mais ou menos neste horário, também.
- Que sintonia! Em torno de onze e um, onze e cinco, me apaixono por você.
- Eu me apaixono mais cedo, em torno de vinte e uma e dez, mais ou menos.
- Ah, depois do beijo na boca?
- Sim.
- Interessante. Acho que para nossa união definitiva, é questão de tempo.
A menarca e o Corvo
hoje foi aniversário do Seu Carlos Lacerda, um amigo do vovô. E foi também o dia da minha menarca. Fiquei mocinha no colo do Seu Lacerda. Vi o sangue escorrer pela calça preta dele e pingar no chão, aí eu falei:
- Tio Lacerda, não conta pra ninguém.
Aí ele me olhou por trás daqueles óculos feios dele, parecia muito zangado e disse bem baixinho ao pé do meu ouvido com sua voz gutural:
- Sua vaquinha comunista.
ao passo que respondi:
- Seu corvo abobado! Imediatamente pulei do colo dele e abracei minha mãe, que percebendo o sangue nas minhas pernas, fez um escândalo pensando que o Seu Lacerda tinha me feito mal.
- Arrogante, golpista, inescrupuloso, autoritário, hipócrita, falso moralista! - foram alguns dos impropérios de mamãe para o Seu Lacerda.
E eu achando que "corvo" era um xingamento forte.
Vovô tratou de botar panos quentes e acabamos saindo pelos fundos.
Diário, que confusão, estou muito envergonhada com tudo isso. Nem comi o bolo.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Tarsila observa Carlota procurando chifres em cabeça de cavalo
Embaixo da cama, Carlota inicia sua rotina de procurar chifres na cabeça de cavalos. Pobre do cavalo da vez. No meio da façanha, pisa no penico de louça, enche os sapatinhos de mijo e se engasga com bolas de pó.
No escuro dos olhos da nobreza cega, cavalo e touro não têm diferença e apenas o chifre cravado em suas costas, avermelham a escuridão. Apenas a fumaça expelida do nariz do bovino torna o ar mais respirável no reino do Puxa-pés.
Sem senso de direção, ela abotoa os cascos de bronze e pisoteia na cabeça do cavalo da vez, enquanto o touro de sempre lhe rasga as anáguas já rotas e estupra novamente seu cu, ensanguentando as caras rendas francesas.
Os olhos do cavalo já não brilham mais.
A língua podre da infeliz Infanta sugou toda a sua energia eqüina. Suas unhas negras e sujas, bordadas com missangas e lantejoulas, já arrancaram o coração do cavalo, que nunca teve chifres, a não ser na imaginação fértil de Carlota.
Tarsila e seu cavalinho são expulsos do paraíso.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Quarenta anos e muita confusão
Quando acendeu a luz, todo sorrisos e preparado para receber a saraivada de aplausos, foi surpreendido por policiais armados com fuzis apontados em sua direção. Perplexo, ao invés dos parabéns, ouviu apenas a voz de prisão:
"- Você está preso! Você tem o direito de ficar calado..."
Que confusão! havia entrado no apartamento errado! Só torcia para que seus amigos não desistissem da festinha surpresa e o esperassem um pouco mais. Ficara sabendo que haveria até bolo com mulher nua dentro! Ajoalhado no chão com as mãos na cabeça, chorava como uma criança. Estava inconsolável e os policiais sequer escutavam seus apelos.
De nada adiantaram suas súplicas, quando viu, estava dentro do camburão. Nem mesmo o porteiro, seu conhecido de anos, ousou sair em sua defesa.
- Por favor, seu Quirino, vai lá e avisa a galera que tô indo pra delegacia!
Dormiu uma noite no xadrez e foi liberado. Chegou a pensar que tudo fazia parte do esquema da festa surpresa, mas ao invés da prostituta do bolo, passou a noite numa cela com marginais da pior estirpe.
Só no dia seguinte, tudo foi resolvido e ele foi liberado. Decidiu processar o Estado por danos morais, afinal aquele havia sido seu pior aniversário em quarenta anos de existência e aquilo não ficaria assim.
Como fazia muita questão da festa, ligou para os amigos, combinando tudo para o final de semana seguinte, queria o bolo e a puta, de qualquer jeito. Eles concordaram e arrumaram todo o esquema.
Então, no dia combinado, entrou em casa, acendeu as luzes e recebeu a saraivada de parabéns. A mulher saiu do bolo, exuberante e cantou "Happy Birthday". Tudo estava perfeito, se não fosse pelo fato do marido da vadia ter descoberto tudo e ido no apartamento do aniversariante acertar as contas. Chegou atirando, acertando dois tiros na traidora, que tombou ensanguentada sobre o bolo, inutilizando-o.
Foi todo mundo pra delegacia.
- Mas que porra, quem foi que contratou essa piranha? Foi você, Heraldo?
- Acho que foi o Valdo.
- Eu não! Foi o Borja!
- Fui eu, sim, mas que merda! Você resolveu arrumar outra festa de última hora, caralho! A gente já tinha feito a vaca para pagar a outra puta.
- E foi bem cara, viu, quarentão? Doeu no bolso, xará!
- Vocês sabiam da importância dos meus quarenta anos, seus amigos da onça!
- Como eu ia saber que a garota era casada? ela era de uma agência!
- Então vou processar essa agência! Que agência que é?
- Ah, é uma agência do meu primo, mas o cnpj é de um açougue.
- Só podia ser teu parente, né, Borja?
(silêncio)
ele continuou:
- E semana que vem, vou querer outra festa, com puta no bolo e tudo! E vejam lá se não vão fazer outra cagada, hein?
(silêncio)
segunda-feira, 7 de abril de 2008
domingo, 6 de abril de 2008
Começando pelo fim
Vazio
- Até.
- Então até qualquer dia.
Decepção
Orgasmo unilateral
Expectativas frustradas
- Eu também
- Eu te amo.
Expectativas
Paixão
Atração Fatal
Esperança
Vazio
Mágoa
--
Não é que eu vá fazer igual, eu vou fazer pior. O Inimigo sou eu. Nem sempre se pode ser Deus. Amor é ódio separaram corações e mentes. Estou ficando louco de tanto AHAH UHUHU. A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão, ballet. Miséria é miséria em qualquer canto. Não é por não falar em felicidade, que eu não goste de felicidade. O pulso ainda pulsa...
(trechos roubados de letras dos Titãs)
=*=*=*=
Culpa da minha personalidade derrotista (Perde/Ganha). Seres humanos costumam ser óbvios.
Docinho Maravilha
- Por que está tão nervoso? Vamos ficar livres dela de uma vez por todas.
- Acho que nunca ficaremos juntos, Lídia. – respondeu Rodolfo, preocupado.
- Por quê? Acha que ela lhe perdoará depois do flagrante?
Rodolfo colocou as duas mãos na cabeça e com enorme sentimento de culpa, confessou:
- Ela nunca me perdoará. Não vai dar tempo, porque eu nunca mais fiz o Docinho Maravilha pra ela... entendeu?
- O quê? – espantou-se Lídia - Rodolfo, está me dizendo que...?
Neste instante, a esposa transtornada entrou bruscamente no quarto, segurando com ambas as mãos uma arma apontada para Rodolfo.
- Eu sabia, Rodolfo! Você tem uma amante!
Muito decepcionada, ela disparou dois tiros certeiros nele, que abriu os braços e fechou os olhos, como se a sua morte fosse anunciada.
Lídia soltou um grito de horror e, chorando muito, implorou que não lhe matasse também. Ajoelhou-se diante da viúva e pediu perdão. A mulher a empurrou para o chão com um chute no rosto e fez questão de passar por cima dela com o salto agulha, enquanto caminhava lentamente em direção ao criado-mudo. Pegou a bolsa da amante e despejou os pertences sobre a cama, sem desviar a arma de sua direção. Comovida, livrou-se rapidamente da pistola ao encontrar o que tanto queria e precisava...
- Ah, Rodolfo... eu sabia... é o Docinho Maravilha... você era o único que sabia fazer esse doce fabuloso. - falou, saboreando lentamente a deliciosa iguaria.
Lídia pegou a arma e apontou em direção à assassina:
- Largue esse doce, agora! Ou senão eu atiro! – disse, sem muita certeza da sua coragem.
A esposa gargalhou, repousou a cabeça sobre o peito ensangüentado do marido e continuou saboreando o doce. Parecia não se importar com a ameaça da patética rival.
- Atire, sua louca. Quero morrer ao lado do homem que tanto amei, comendo o último Docinho Maravilha que ele produziu.
Após engolir o último pedaço do doce, a mulher sentiu a boca seca e o ar lhe faltando.
Vomitou e agonizou até a morte.
Lídia, perplexa e com pena da viúva, concluiu que Rodolfo só conseguia fazer o Docinho Maravilha para quem amava e que o doce era letal se engolido por outra mulher. Era esse o segredo do sabor especial.
As lágrimas escorriam pela sua face e tudo que ela mais desejava agora era ter seu Rodolfo de volta. Fora preciso uma tragédia como aquela para que ela descobrisse que Rodolfo a amava de verdade, pois ele não era bom com as palavras, mas era um gênio na culinária e expressava seus sentimentos através de sua arte.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
A Fuga
A Fuga - Parte II
A Fuga - Final
- Me perdoa, Joana, não sei o que me deu, eu estava no futebol e os caras convidaram pra ir a praia, sabe... na hora eu recusei, mas depois deu uma coisa... uma vontade de sumir, de fazer uma coisa diferente! Eu fui, me perdoa, eu fui... Joana, se não quiser me perdoar, vou entender!
Joana estava incrédula. Ficou imaginando tudo que ele fez na praia com os amigos. Era isso! Ela havia se ferrado porque foi sozinha, se tivesse ido de turma, tudo seria diferente.
- Eu... vou pensar... me dê algum tempo.
- Tá bem, todo tempo do mundo. Eu te amo, olha, eu te amo.
- tá... eu... preciso dormir um pouco.
.FIM.
A Eddie, com amor. K.
fé-cafécafécafécafécafécafécafé-ca
Quantas letras tem o seu nome?
E se assim, os registros mentem,
quem sou eu para ele que não sabe meu nome?
O meu nome tem sete letras vezes sete significados diferentes para cada letra.
O meu nome tem sete espaços vazios vezes sete significados diferentes para cada espaço vazio.
O meu nome tem sete vezes o nome dele grafado por cima do meu.
Mas ele não sabe.
Nem a velha e a criança sabem.
O naziusmo mostrou a língua para mim
- Peraí, eu não sou nauzista.
- É sim.
- Por que acha isso?
- Simples, olhe para seu lado: três pessoas aí fora. E aqui dentro, eu e mais quinhentas esperando virar cinza.
- Não, não é bem assim... é nós quatro pensamos muito parecido. Não temos culpa se vocês pensam tão diferente. E para provar que não sou nauzista, vou aí dentro salvar duas pessoas.
(...)
- Viu? são eles que não quiseram ser salvos. Não sou nauzista.
- Salvos de quê?
- De si mesmos.
- E por que ao lado de vocês, eles estariam a salvo de si mesmos?
- Porque somos melhores! pronto, falei.
- Melhores em quê?
- Somos tudo que vocês queriam ser e não conseguem.
- Não seria o contrário?
- Acendam logo a fornalha!
--
Acreditam que o blog não aceita a palavra NALSISMO? rs.
Quem mandou? quem mandou? bem-feito.
O que existe sob o endredon

Gilquinha e a ação contra o INSS
Chegou no edifício imponente, botou o óculos e leu no papel, que a sala do advogado ficava no décimo oitavo andar. Indicado por uma amiga, Gilquinha gostou da descrição do Doutor Flávio Dídimo: um senhor de oitenta e dois anos, lúcido, professor e advogado ocupadíssimo. Ele só iria atendê-la por consideração à Lourdes.
Gilquinha entrou no elevador, apertou no botão, mas em seguida o caixote parou para pegar um rapazinho muito simpático, que deveria ter no máximo cinquenta e cinco anos. Apesar de não gostar de jovenzinhos, o galã do elevador a deixou louca de tesão.
- Qual é o seu nome? pega o meu cartão, me liga a hora que tu quiser! - implorava, beijando as mãos cheirosas da melhor amante que já tivera na vida.
- Tá bom, meu anjo! Preciso ir. - disse Gilquinha puxando a mão, sem paciência e limpando na saia.
- Pode me chamar de tu, doutor. E aceito o café, sim - "para tirar o gosto do outro da minha boca".
Teatro do deserto
Ao sangrá-la, sofria. Ao sofrer chorava.
A Pedra, sagaz na arte da representação artística, achava que o Cacto velho e espinhento não percebia que ao abraçá-lo, na verdade desejava lhe roubar pequenas gotas de água.
Ao murchá-lo, sorria. Ao sorrir, mais endurecia.
quinta-feira, 27 de março de 2008
Gean na África - compartilhando experiências
-
Confesso que as vezes caminhar algumas dezenas de quilometros para chegar em lugar algum parece locura mas quando no meio deste caminho voce encontra algumas criancas para e entao ali mesmo voce distribui alguns gizes de cera e algumas folhas de papeis e eles em poucos segundos sobre o chao batido e maltrado fazem verdadeiras maravilhas isso me motiva a caminhar mais algumas dezenas de quilometros.
Um grande abraco…
Cara, eu tenho leitores!
Bem, mesmo assim, eu continuarei postando sem pretensão nenhuma de deixar o blog legal para atrair mais visitantes e etc. Como a gente faz para receber comentários novos no e-mail? Facilitaria bastante.
Achei muita coisa no meu msn spaces e tô migrando pra cá.
Certeenho? eba.
Homicídio Doloso
Ela falva alto e tossia bem do meu lado. A gota d´água foi ela ter tropeçado no fio que ligava o computador à tomada.
Nervosa, não conseguiu se desculpar, pois não parava de tossir. Instintivamente, peguei a tesoura do porta-trecos e com uma estocada certeira, furei-lhe a garganta. Ela parou de tossir na hora, doutor Cerveira.
O que vai acontecer agora?
Boxe
Boite Roma
Pai
sai!
Estou pelada
e menstruada
se toca!
boboca.
Cresci
e apareci
mas tenho o recato
pelo senhor, ensinado:
feminilidade secreta: "seja discreta"
A brincadeira do Cílio
- Tem um cisco no meu olho, não consigo tirar!
- Quer que assopre?
- Vai!
- fuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
- Não cospe! vai outra vez!
- fffffffffffffffffffffffffffffffffffffffuuuuuuuuuuuuu. Saiu?
- Não. Que agonia!
- Faz a simpatia da Santa Luzia, que é batata!
- Como é que é, mesmo?
- Repete: Santa Luzia passou por aqui
- Santa Luzia passou por aqui
- Com seu cavalinho comendo capim
- Com seu cavalinho comendo capim
- Tem que dizer fazendo o sinal da cruz no olho...
- Santa Luzia passou por aqui com seu cavalinho comendo campim. Santa Luzia passou por aqui com seu cavalinho comendo capim... Ai, não adianta, não aguento mais esfregar o olho, olha só como está vermelho!
- Tenta puxar a pálpebra pelo cílio e esfrega o olho com ela...
- Assim?
- É, vai esfregando... olha se saiu...
- Não!
- Acho que eu tenho um espelho na bolsa, você precisa achar essa porcaria que entrou no seu olho!
- Rápido, o espelho...
- E aí?
- Achei! É um cílio!
- Tira!
- Espere...
- Não perde o cílio, por favor!!!
- Tirei, tá aqui ó! Vamos fazer a brincadeira do cílio.
- Vamos! Vamos! Vou pensar um desejo...
- Não vale apertar o polegar assim tão forte!
- Vale sim, o cílio estava no seu olho, é sinal que a sorte está do seu lado!
- Então vou virar meu polegar para cima também, ó.
- Pronto, vamos ver para quem saiu.
- No meu não está... Saiu pra você?
- Não... no meu também não está.
- Droga! perdemos a chance de realizar um desejo.
- Ai!
- Que foi?
- Entrou um cisco no meu olho...
Pétalas de Rosele
Grenoille's Essence
Surpresa cabeluda
Cudemalu
Esquece o Bingo, mãe
O Sargento Gusmão
sábado, 22 de março de 2008
Vinho Menstrual
que vive dentro de mim
te conservo em álcool
tenho medo de te sujar
com restos de pizza
bebo água em conta-gotas
para que não te afogues
teu banho diário
de água mineral
salva minha vida
Se eu minguo aqui fora
tu cresces aqui dentro
Inapetente
te amo
me come
terça-feira, 18 de março de 2008
DASA
Quando abre a porta do seu apartamento para sair, Bete encontra o vizinho do 801, que estava chegando:
- Vizinho, precisava mesmo falar com você, tenho que lhe devolver o açúcar que pedi emprestado ontem... tem um tempinho?
5 mintutos depois... (sexo)
Condomínio Porto Real - 7. andar - elevador .
Bete é surpreendida pelo síndico que lhe cumprimenta e comenta sobre a chamada extra que será cobrada dos moradores.
5 minutos depois... (sexo)
Condomínio Porto Real - portaria
Bete cumprimenta o novo porteiro, que gentilmente lhe entrega a correspondência.
5 minutos depois... (sexo)
Condomínio Porto Real - Jardim
Bete finge que não vê o jardineiro, mas ele corre atrás dela com uma margarida na mão.
5 minutos depois... (sexo)
Avenida Bento Rodrigues
Bete está atrasada e chama um táxi
5 minutos depois... (sexo)
Edifício Comercial Pessoa de Mesquita - 1. andar - DASA (Dependentes de Amor e Sexo Anônimos)
"Bom dia a todos, meu nome é Elisabeth Pampulha Novaes, tenho vinte e oito anos e sou viciada em sexo. Eu... eu... estava... quer dizer... estou... há...nove dias sem ter relações... sexuais"
(aplausos)
Iron, Vodka e Dedalismo
a garrafa
evacuao resíduo
pela goela,
esquecido
a garrafa
escarra
o muco
volátil
cruento
ejacula esperma
pestífero, estéril
contaminada,
a garrafa
espalha
garrafite
- Mamãe, separe copos e talheres! - não avisei.
Vovó Jilquinha vai a São Paulo
Tô quase lotando, filho! - dizia ela ao recusar um pedido de adedê.
Através do orkut, ela tentou encontrar seus ex-namorados e o único que ainda estava vivo era o paulista Julinho Caetano. Ele não tinha orkut, mas Jilquinha era amiga do bisneto e depois de dois meses conversando no mensageiro, as informações batiam. Era ele! Salete, a empregada, se assustou com a gritaria e foi até o quarto da vovó conferir se estava tudo bem.
Encontrou-a de braços levantados, batendo pelanquinha do tríceps e dançando forró de olho fechado.
- Achei meu examor paulista, Salete! Vou viajar de avinhão!
- Que fogo, hein dona Jilquinha? Quantos anos ele tem?
- Oitenta e dois.
- Virgem! Não vai dar no côro, não...
- Ah, vai!
A conversa pelo telefone:
- Jilquinha, quando você vem me vê?
- Comprei a passagem para sábado, bem. O bisneto vai me esperar no GRU.
- Hein?? quando você vem me vê?
- SÁÁÁBAAAAADOOOOOO!!
O reencontro
Dona Jilquinha adorou São Paulo, mas achou a viagem de táxi muito comprida e chegou na casa do Caetano meio descaderada.
- Vovó Jilquinha, amanhã eu venho aqui para gente tirar umas fotos para botar no orkut, tá bem?
- Claro, Caetaninho! Vem amanhã de tarde, viu, bem? Te manda, Guri!!
Jilquinha e o paulista se beijaram longamente. Era muita saudade e muito tesão.
- Você ficou mais gostosa, Gaúcha!
- Você não viu nada, vamo pra cama, Caetano!
- Vamo nada, vai ser aqui mesmo no carpete! Como é aquela palavra que você dizia?
- Aiiii, coisa excitiva!
- Olha aqui como eu tô!
- Paulista safado! Adoro...
E...depois de um final de semana de sexo alucinante, era hora de Jilquinha retornar...
- Jilca, eu te amo, gostosa! sua baxera continua apertada e quente
- Ai, pára... hihi... tenho que ir...
- Mas por que você não casa mais eu e fica morando aqui? Você não me ama?
- Amo! sempre amei.
- Então fica!
- Mas sabe o que é, bem? o que me apetece mesmo, é a aventura! eu sou maluca, tu não sabe?- É... Juízo você nunca teve. Mas eu posso morrer amanhã... e se você demora a voltar?
- Não morreu até hoje, não morre mais. Agora tira essa calça que eu quero me despedir direito.
Cátia Perigosa - Begins

Sentiu sua razão escorrer pelo o ralo quando o conheceu:
Padre, Igreja enfeitada com rosas brancas, padrinhos e damas de honra. Aquilo não significava nada para ela. A noiva era sua própria mãe, mas as duas viviam distantes desde o divórcio.
Ela se aproximou e fez menção de abraçar o pai, mas este se limitou apenas a segurar suas mãos delicadas num gesto meramente cordial.
- Pai, você viu a Lea? – perguntou, confusa. Cátia era apenas uma criança quando Lea morreu afogada na piscina... Foi um acidente, mas seu pai nunca se convencera disto.
Apresentou-se ao noivo. Ele, nervoso e inquieto, apenas comentou sobre a semelhança física entre Cátia e a mãe. Ela encantada, já se imaginava transando com ele numa praia deserta, grávida de gêmeos.A garota se afastou e correu até a limousine da noiva.
Entrou, sentou-se ao lado da mãe e em seguida, tirou delicadamente a pistola de dentro da bolsinha dourada. Apontou para a cabeça da mulher e pediu ao Choffeur que discretamente, saísse com o carro ou senão, todos iriam morrer.
- Cátia, Por que está fazendo isso? – perguntou a noiva, aflita, sem acreditar que aquilo estava acontecendo no dia do seu casamento.
- Cála a boca! - gritou Cátia, desconcertada, pois nem ao menos ela, sabia ao certo o motivo, só sentia a necessidade de fazer.
O celular da vítima começou a tocar e ela chorou convulsivamente, imaginando a preocupação de todos com sua demora. Cátia jogou o objeto pela janela.
- Você o ama? - perguntou para a mãe, que balançou a cabeça afirmativamente.
- Eu também o amo. Vagabunda! E com uma coronhada na cabeça, fez a rival desmaiar no banco de trás do carro.
- Pára esse carro. Cai fora! Cai fora!
O choffeur obedeceu e antes que saísse do automóvel, levou um tiro pelas costas. Cátia pulou para o banco da frente, chutou o corpo para fora do veículo, disparou mais algumas vezes e resolveu colocá-lo dentro do porta-malas.
Não sabia que era tão forte. Voltou para o carro e acelerou. O suor escorria pela testa coberta de maquilagem. Ela fitou-se no espelho: Era uma linda assassina de dezoito anos, parecida com uma princesa. De vez em quando, olhava para trás e contemplava, com um sorriso mórbido, a noiva desfalecida.
Riu.
Seus pudores escorreram pelo o ralo quando conheceu seu primeiro amor...
Nela, na vagabunda, foram três tiros ao todo... nenhuma lágrima pingou do cano da pistola.
Cátia foi obrigada a viver escondida depois daquilo. Escondeu-se de tudo, menos do amor obsessivo pelo noivo da sua mãe. "Como era mesmo o nome dele? - Foda-se!"
O reencontro
Acordou amarrado e amordaçado num galpão escuro de madeira. Só lembrava que Cátia, a enteada bateu à sua porta, muito assustada, dizendo ter fugido do cativeiro, onde seqüestradores mantinham a mãe aprisionada.
Ela o abraçou emocionada, pedindo ajuda para resgatá-la, porém, ela o impediu de chamar a polícia imediatamente, disse que estava muito cansada e que fariam isso no dia seguinte. Ele desconfiou daquela atitude e fez menção de ligar para a polícia. Ela se insinuou, se despiu e pediu para ser possuída. Ele a rejeitou e... não lembrava de mais nada...
- Oi. – disse Cátia ao cativo.- mmmfmmmmmmfmmmm
- Cale-se, você não vê que está amordaçado, imbecil? Tenho uma péssima notícia... Ei, quer escutar? Não te amo mais. Não te amo mais, entendeu? (Dois tapas na cara dele, um de cada lado)
Cátia apontou a arma para o rosto dele e falou:
- Por sua culpa, matei minha mãezinha... minha querida mãezinha... porque eu achava que iríamos ser felizes para sempre se ela... Ohhh... mas eu cometi um erro, porque você não me quis...
Nele, no desgraçado, foi um tiro e nenhuma lágrima. Ele mereceu. A morte da mãe estava vingada.
Mas aquele tiro não tinha conseguido acalmar seu coração magoado então, antes de subir na moto, ela incendiou o galpão.
terça-feira, 4 de março de 2008
Vovó Jilquinha - nome que engana
Queria bater punhetas e recordes. Tomou café com rapadura, pintou a boca e chamou os homens. Só conseguiu recolher dez pelo bairro, mas ficou satisfeita com o número. Até pai e filho ela conseguiu juntar.
"Coisa excitiva" - dizia ela, faceira.
Nem se preocupou em perguntar os nomes deles, pois a memória não ia dar conta. Em compensação, com "a baxera", ela se garantia. ("baxera", era como a vovó chamava pau e buceta).
Jilquinha, como gostava de ser chamada, se pelou na frente do macharedo, deitou de barriga pra cima numa mesa forrada com uma colcha colorida (presente da falecida filha), abriu as pernas e chamou o primeiro.
- Mete, filho! Mete bem.
E foi assim dez vezes, pena que não gozou em nenhuma. Então, ela esperou eles irem embora, levantou (um pouco descaderada), foi na cozinha, pegou a fôrma de gelo, tirou duas pedras e esfregou na "baxera" até gozar.
- Aiii... quem precisa de hômi??? coisa excitiva!
domingo, 2 de março de 2008
Mais velhas
Mari tinha preferência por mulheres mais velhas porque eram mais permissivas, fogosas e experientes, então convidou a Ju para um drink. Ela aceitou o convite, mas logo foi dizendo que não queria compromisso sério com mulheres, que não era lésbica e que buscava apenas sexo casual e alguma novidade.
Dona de uma risada gostosa, aceitou o cigarro que Mari colocou entre seus lábios. Beberam um pouco no mesmo copo e sedutora, Ju apelidou carinhosamente a amiga de sapinha por causa dos seus olhos grandes, úmidos e redondos. Já na primeira investida de Mari, Ju cedeu ao beijo.
Beijou gostoso e demorado, provocando a outra ao máximo com a língua e com as mãos. Sentiu calor e ruborizou, excitada.
Maliciosa, aceitou ir para o carro e não fez objeção quando teve o seio macio tocado, beijado, lambido e chupado pela garota afoita. Estava gostando e demonstrava querer mais. Ousou conferir a excitação de Mari com os dedos, arrancando-lhe gemidos e longos suspiros. Mari estava muito molhada e aqueles beijos deixavam-na louca!
"Se não convidá-la para ir para a cama posso até ofendê-la. Imagina o seu rosto de decepção se eu lhe perguntasse: quer que eu a leve para casa ou você prefere ir a minha, conhecer a minha mãe? Um absurdo! ela ficaria traumatizada, se sentiria rejeitada e lembraria de mim como uma menina tola e inexperiente que a desprezou."
Mari beliscou o seio de Ju e chamou-a de gostosa. Levou um tapinha na cara, de brincadeira. Ju gostava de sexo selvagem e deu a entender que estava pronta. Mari afastou-a para ligar o rádio.
– calma, linda... já volto para seus braços, vou colocar uma música romântica.
O rosto de Ju se iluminou com um sorriso encantador. Ela se rendeu definitivamente.
- Eu adoro essa música! você é uma sapinha maravilhosa! maravilhosa! Encheu-a de beijinhos e mordidinhas pelo pescoço. Desconcertada, Mari fez o convite:
– Amor, por que não vamos para um lugar mais sossegado, você está me deixando num estado que... - Ju achou graça e interrompeu-a com uma mordida nos lábios.
Em seguida, abaixou a cabeça, levantou a saia da amiga e com o rosto entre as pernas dela, disse:- Podemos ir... dirige aí, me leve aonde quiser!
“Safada, mordeu minha boca! que delícia... agora ela está fazendo a mesma coisa com os outros lábios... mordendo e chupando... aiii... Calma, Mari... você é uma boa motorista, você é uma... Aiiiiii...ÓTIMA motorista... puta que pariu... aiii... Virgem Santa! O quê??... ai, isso não... Ohhhhh... sim... sim... diminuo a velocidade ou acelero?? Meu Deus... ahhhhhh... que boca... que língua...”
Chegaram ao motel e Mari se esbaldou no corpo gostoso de Ju. Fez o que quis e o que fora obrigada a fazer. Nunca havia espancado ninguém antes, mas gostou de brincar de Domme...
Noite perfeita, Ju era uma mulher incrível, talvez Mari a convidasse para sair novamente no próximo final de semana, mesmo correndo o risco de levar um fora...
– Vou tentar, quem sabe? Falou com pesar, enquanto escutava Ju, urinando no banheiro do motel. Riu do barulhinho da urina.
- Que porra! Eu não posso me apaixonar por essa mulher! Mas por que o tilintar do seu xixi no vaso sanitário tem que ser tão lindo?
- O que você está falando aí, Sapinha? - gritou Ju.
- Nada, Amor... estou sonhando alto... mija logo! Já estou co saudades!
- Vem aqui! vem! - tive uma idéia.
Nick, a Vítima da banalidade
No centro da ciranda, ela não tinha pressa de crescer. Tão alegre e infantil apesar dos vinte anos de vida, sonhava naquele momento apenas com uma fatia do bolo de brigadeiro e com alguns balões cor-de-rosa de levar para casa. O pequeno rosto, danificado pela acne não a deixava menos bela, nem as gordurinhas salientes no vestido rodado, marcado na cintura.
Salivando, o maníaco sexual espera o momento certo de atacar. Ele tem paciência, mas seu corpo trêmulo já não consegue mais suportar a vontade de estuprar, era um vício que só a morte poderia curar.
É chegada a hora de cantar os parabéns e soprar as velinhas, as crianças correm para dentro de casa, mas Nick é seduzida por um assovio e se distancia dos pequenos. Ele a puxa pelos cabelos, cobre seu rosto com um saco e desfere vários socos contra o rosto da jovem, que não esboça nenhuma reação. Desmaiada, Nick é colocada num chevette pretode roda cromada, aro estrela e banco de couro. Longe dali, ele a despe mas por algum motivo, não consuma o ato sexual. Nervoso demais para matá-la, simplesmente abre a porta do carro e desova o corpo nu em um beco escuro. Antes de voltar para o carro, ele ainda desfere vários golpes contra o rosto da menina, desta vez, com um pedaço de pau.
Horas depois, dois mendigos a encontram e tiram o saco da cabeça da garota. Nem imaginavam como ela era antes. Seu rosto estava desfigurado.
- Tapa a cara dela, anda! é nojento! – disse um deles, demonstrando visível mal-estar.
- O que vamos fazer? ela está respirando muito devagar...
- Vamos matá-la. Vai ser melhor para ela. Ela foi estuprada e está com a cara toda deformada!
- Eu nunca matei ninguém!
- Vai ser melhor para ela... e então, o mendigo mais velho se ajoelha sobre o corpo e aperta seu pescoço até matá-la por asfixia.
- Vamos nos mandar daqui, rápido!
- Foi melhor para ela... ela foi estuprada... e estava feia...
- Vamos, vamos logo!
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Embarque Internacional
-Sou o diabo, madame. Não acredita? um dois três e sua alma é minha. Você a perdeu junto com a fé. Diabo é coisa de Deus, madame. Não acredita? um dois três e você está abortando. AHAHAH! Joguem o feto aos leões.
Eu compro seus olhos apavorados. Quanto eles valem?
Quanto mal a madame já fez?
um dois três. Faça seu preço...
[Fechar portas].
O quarto de hospital era tranquilizante e ela estava só. "Perdi o vôo e todo o resto". Lembrou-se da gravidez, mas sentia-se oca. "De novo. Dessa vez eu queria". Levou as mãos aos olhos... doíam. "O Diabo é bonito de doer" - pensou.
Sentia-se fraca... Em breve a polícia iria entrar pela porta verde, a interrogaria e a levaria presa. Ela teria que explicar como aquela cocaína foi parar dentro de suas botas, seria obrigada a confessar todos os detalhes do tráfico, "blá blá blá... é a porra da delação premiada". Ela já sabia de tudo na teoria, mas na prática...
]Abrir portas[
... iria morrer antes que a polícia entrasse por aquela porta.
Nêga, Nêguinha meu amor
O palhaço Kunko e seu número clichê
Imagem: A menarca da contorcionista (ükma)
A índia Loura (Dulecê)
O Cortejo da Mania
o andor para em procissão solitária
levar a Loucura
ao altar, construído
no interior de um templo abstrato.
De seda, pendores,
insígnias divinas
cruzes e jóias
fitas mimosas
azuis, cor-de-rosa
ciranda de cores
um passarinho pousa na imagem
- mais um enfeite
enviado para fortalecer a crença
nos milagres da Demência
Sagrada Insanidade,
rogai por nós!
E segue solitário
de olhos fechados
em reza cantada...
o templo está aberto...
... a esperá-lo com festa.
Flá
dentro do espelho d’água,
faz meu olho derreter,
deixa a pele arrepiada.
Queima a noite mal dormida,
alaga fauna e flora,
rouba a essência da vida.
Dentro da boca mofada,
doente, seca, inflamada,
recebo o sopro sagrado
da messalina dourada
- fumaça de encanto quebrado
exalando da língua encantada -
Redenção dos penitentes
nua, expõe sem pudores
seu monte em chamas
que anseia por dores
Vitrine viva bacante
casulo secreto
das paixões latentes
berço indiscreto dos amores
doentes
Seduzida, ataco a visão
com fúria
e faço de seu corpo
morada
Entro pela boca
e escorro pela garganta,
pisoteio seu ventre,
mordo seu coração.
A violento com sede:
em seu interior fecundo
planto minha semente
Ali ficarei enraizada
e receberei seus homens
Escravizarei a todos
para seu prazer
- um a um matarei de sede,
calor e desejo –
- Messalina,
assim serei amada
e te darei gozos de dor.
Em troca, te entrego minha alma
para que faças acordocom o Diabo
(Até esse coitado
em tuas mãosserá escravo).
Noite Passada a limpo
Passa o gato por cima da cama, o vento no ventilador, o barulho da chama da vela queimando no andor da procissão;
passa o perfume das flores, as vozes do além, o frio na janela, o cortejo das trevas cantando e rezando - amém.
Passa os três patetas na tela, a sede por cima da língua, o lençol sobre os pés
O pezinho que eu puxei
de criança atormentada
eu lambi e machuquei
quando dei uma dentada
tão branquinho e pequenino
parecia um bijouzinho
Dona Noite dá gargalhadas da minha superstição infantil e também arremeda meus gritos de dor sempre que o Pesadelo traz a família para fazer piquenique no meu estômago.
Ele também passa no sonho, mas é só pra me torturar, pois sei que Ele é a Noite fantasiada de suplício que me enconta e me escolhe para ajudá-la em seus números de ilusionismo que se estendem até o amanhecer.
Amor Inimigo
Como Somoza amou Sandino
Como Garrastazu amou a subversão
Igual amor do semita pelo nazista
igual amor que o ateu confia ao Deus dos cristãos
Eu te amo
Com o mesmo amor que sente o mogno da Amazônia
ao morrer pelos dentes da serra elétrica
Como o viciado ama a abstinência forçada
Como uma mulher violentada ama o tarado que destruiu sua vida
e limitou seus desejos a uma simples noite sem pesadelos.
Lyrics: titãs
O inimigo sou eu
O inimigo é você
O amor é o pior inimigo, disfarçado de ódio.
Não aconteceu no Hotel Califórnia
Cátia Perigosa I e II
A Massagista
Mas tenho mau-pressentimento
Pois cada mês, a vida fica mais cara
Uma vez ou outra
Ela se sacrifica, aposto
Para que a nossa sacola não saia vazia
quando vamos ao supermercado
Quando chego em casa
Depois de um dia na fila do emprego
Ela insiste em fazer massagem
Mas eu não aceito, tenho medo de saber
como se sentem os clientes dela
E como ela se comporta com eles
Ela quer saber que calcinha deve usar
Eu sempre escolho a preta


