sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Jardim de Inverno

Meu corpo escorregou por teus vidros oleados. Nossos dedos furaram preconceitos que estão no papel, quebraram promessas prateadas e desenharam um novo destino no ar.

Os loucos sabores de nós dois passeiam agora pelo céu-da-boca da multidão - nosso gôsto na boca de estranhos e risos atrasados depois - sempre queremos mais daquilo que o ciúme enxerga e do que o amor pode superar. Uma oração endereçada a todos os santos e estamos aqui outra vez, um de frente para o outro sem saber o que dizer, mas com veneno na cabeça.

Eu tive uma idéia. No segundo andar, há um jardim de inverno atrás dos pilares. Há um balanço de dois lugares e muitos jasmins amarelos.

Na ordem: óleo, meu corpo jasmim, o frio a nos embalar e cabeças envenadas.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Os três biquinhos de Carência

Carência. Assim se chamava a filha da nossa empregada. No início achei graça desse nome, mas depois fui achando bonitinho demais. E fui achando a menina Carência bonita demais, também. Tanto, que até sonhei com ela.

Estava completamente apaixonado por ela, mas me consumia de vergonha de contar para alguém que estava gostando da filha da empregada, uma pessoa tão pobre. Um dia eu contei pro João Victor, meu melhor amigo e ele quis conhecer a Carência, então convidei-o para ir na minha casa à tarde jogar vídeo-game. Ele achou a Carência muito bonitinha e ela sorriu pra ele de um jeito estranho quando passou um filme na televisão que eu nunca tinha visto, mas que eles já tinham assistido e ficavam conversando um com o outro sobre o filme. Nunca senti tanto ciúme na minha vida, fiquei emburrado, desliguei a televisão e mandei Carência voltar pro quarto dela, que não ficava bem pra uma empregadinha ficar de trelelê com os patrões. Ela obedeceu. De cabeça baixa. Se arrependimento matasse, eu morria ali mesmo! Coitadinha da Carência!! Ganhei uma bronca do João Victor, que me chamou de nazista, fascista e de um monte de coisa que a gente nem tinha aprendido na escola ainda.

O João Victor também se apaixonou pela minha Carência e eu acabei brigando de soco com ele no pátio da escola e rompemos nossa amizade para sempre. Aí naquele dia, com o olho todo roxo e com o coração acanhado, eu abri meu coração para a menina. Ela ficou assustada e chorou. Chegou a ficar vários dias sem falar comigo. Perguntei o que havia acontecido e ela falou que a mãe dela ficou muito zangada com a minha declaração de amor, disse que eu era um moleque rico e petulante e que as duas iam ser mandadas embora se minha mãe descobrisse tudo isso. Aí fui eu que chorei muito, mas eu não podia contar nada para a minha mãe. Eu percebi que depois daquele dia, Carência também começou a gostar de mim e então eu perguntei para a minha mãe se nós podíamos ser amigos e se Carência podia brincar no computador comigo. Minha mãe deixou, mas me alertou sobre os perigos da pré-adolescência. Fingi que nunca havia escutado aquilo antes e prometi ser o filho mais comportado do mundo. Carência adorou o computador e cada dia mais se interessava por programas mensageiros e perfis em sites de relacionamento.

Era pela internet que o nosso amor se realizava todos os dias. Carência era meu primeiro amor, um amor tão forte que me desconcertava. Um dia eu pedi pra ela me beijar e ela não quis, porque tinha medo da mãe dela ser demitida, então eu insisti e falei que ninguém ia ficar sabendo. Ela não quis e eu me conformei.

No outro dia, ela pediu pra eu tirar uma foto para ela colocar no perfil, então peguei o meu celular e tirei uma foto dela, uma bem linda. Ela fez um biquinho como se estivesse me dando um beijo e sob sua blusinha branca, pude ver os outros dois biquinhos pontiagudos que pareciam querer furar a camiseta. Eu não conseguia parar de olhar aquela foto, só pensava em Carência e nos seus três biquinhos e em como eu desejava tocá-los! Céus... eu estava realmente muito apaixonado.

No dia seguinte, cheguei da escola disposto a revelar a todos na casa sobre minha paixão e deixar claro que se Carência fosse mandada embora, eu iria junto com ela. Estava decidido! Ao chegar em casa, porém, encontrei outra empregada e o relógio que marcava as horas da minha felicidade parou para sempre. Eu só pensava nos três biquinhos de Carência. A página dela na Internet nunca mais foi atualizada e a minha vida perdeu completamente o sentido desde então. Minha mãe chora muito ao me ver assim, tão jovem e debilitado pela depressão. Ela jura que foi Solange quem pediu para ir embora e que não deixou nenhuma forma de contato. Meu pai, que mora nos Estados Unidos veio me ver e disse que iria pagar um detetive particular para encontrá-las. Enquanto isso, eu vou definhando... e pensando nos três biquinhos de Carência.

sábado, 19 de julho de 2008

decadence avec elegance

Circunstancial. O casaco de vison avelhado cheirando a cigarro era tudo que possuía. E a vitrolinha da vovó, que não valia nada.

O mascate lembrou daquela moça por causa dos anéis, vendidos por uma ninharia dias atrás. Ele viu as jóias abandonando os belos dedos, como uma tripulação desesperada em meio ao naufrágio. Deixou o brechó com a vitrolinha debaixo do braço. Era só o que lhe restava.

O dinheiro recebido pelo vison foi gasto com um táxi, com um vestido de noite e com um par de sapatos novos. O sanduíche de mortadela entusiasmou o seu estômago... e a vitrolinha ficou no boteco.

E se foi, pisando firme, como quem ainda poderia ser feliz, destoando no luxo trivial de um lanche no balcão do bar. Estava pronta.

Circunstancial. Suas raízes eram perenes.


===
Uma parceria com Hesidro Lanoia

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Janelas Alteradas



Ontem, uma janela pluvial
desenhou minha saudade
e tocou uma música melancólica,
escorrendo desejos intocáveis
no lado seco da vida.

Hoje minha janela é passarinho
com asa de vidraça cicatrizada,
cantando para um sol que me percebe,
mesmo tão pequena...
Hoje, as cicatrizes brilham mais.

Amanhã, minha janela precisa ser você...
venha com sol ou com chuva
e encoste os lábios no vidro.
Quero um beijo que não será sentido...
um sorriso embaçado
e um olhar de janela emperrada
que não se abre.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Piromaníaca

Incendiei o apartamento e fui morar com aquele cara da universidade. Incendiei o cara da universidade (no sentido figurado e no literal) e agora estou morando na penitenciária.

Revolucionária, queimei alguns colchões e como punição, me deixaram alguns dias sem comer. Muito bom, eu precisava mesmo queimar algumas calorias. Dureza é ter que aguentar este chuveiro com a resistência queimada... não gosto de banho frio.

domingo, 8 de junho de 2008

Betinho




rs
jóia.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Cancioneiro

Cantiga de mim
o seresteiro

belo feito
céu de fevereiro,
limpo, infinito, estrelado

sob o manto da lua,
disfarçado,
um coração requestado
canta de mim

no beijo
plantado na cova
do queixo
há música,
sim

em escala musical
desordenada,
o antes e o depois
em poesia desenhada
no cancioneiro
de nós dois

Meu dinheiro sur(real)

I. O colibri desvalorizado
===========================

II. A garça abatida na nota de 5
As botas brancas de plástico, arrastam pelo pescoço longo, uma ave fleumática em direção à câmara gelada. Cisnes perplexos assistem a tudo do alto dos arranha-céus envidraçados.

“Adeus, Biguá... partirei para nunca mais”

Sim, caros cisnes... a vida das garças não é nenhum conto-de-fadas.

As botas plásticas retornam solitárias, tingidas de vermelho, forradas com penas brancas. Cumprida a missão, são rapidamente substituídas por chuteiras, pois a seleção canarinho continua sendo esperança de alegria para milhões de brasileiros, obrigados a abater uma garça por dia no restaurante a quilo.

Dez garças analgésico-dançarinas fabricam sorrisos nas mãos calejadas e aliviam pequenas dores de cabeça.



===========================

III. A história da Arará

Ações corriqueiras:

O cliente se dirige ao terminal bancário, costura as informações solicitadas e imediatamente, o terminal lhe entrega uma pequena lata. O cliente abre o lacre, retirando do interior da lata um saquinho de juta com a quantidade de moedas de ouro desejadas.

“Este terminal agradece sua preferência” – dizia a máquina. Sempre foi assim até que...

O Caos estabelecido:

Sobrecarga no sistema! As linhas do tele-atendimento estão interditadas porque nesta madrugada, uma Arará fez seu ninho dentro de um terminal eletrônico, provocando pânico dentro do shopping center.

O terminal automático, (sempre tão simpático), estava engasgado e não cuspia mais as moedas de ouro. De sua boca fina e retangular, escapava uma revoada de aves alegres, que buscavam abrigo nos bolsos dos clientes estupefatos.

Em nota exclusiva, o presidente da Casa Económica afirmou possuir uma licença do Instituto Nacional do Meio Ambiente (INAMA) para trocar ouro por Arará dentro do território nacional e advertiu: criar este animal em cativeiro constitui crime ambiental passível de prisão. “Façam suas notas circularem livremente pelo comércio e não esqueçam: uma ararinha sozinha não faz verão” – disse em tom otimista, cometendo uma gafe contra as andorinhas.

E foi assim que tudo aconteceu. É por isso que, sempre que alguém solicita 50 (sur)reais ao terminal bancário, recebe 5 Ararás, fáceis e rápidas de gastar.

Cuidado com a falsificação: Ararás verdadeiras não falam palavrão.

===
IV. Micos que pagam pequenos sonhos dourados

O mico-dourado, "existido" da costela de leão, é Deus das suas próprias idéias raras e luminosas, tão raras que estão ameaçadas de extinção.

De tanto pagarem o mico, a divindade enriqueceu e anualmente, se esbalda em bailes de máscaras venezianos. O luxo do carnaval italiano é para poucos: raros prismáticos, brilhantes primatas que pagam pequenos sonhos dourados da parcela mais humilde da população em troca de votos.

A brincadeirinha inocente com a costela do rei, havia ido longe demais. A extinção é a maneira que o Criador encontrou de destruir seus pequenos caprichos, mas apenas aqueles que ousam brilhar mais do Ele.

A pane na máquina funcional

A função
do automóvel:
atropelar;

da epidemia:
dizimar;
da lâmina:
decepar;

do projétil:
ferir;
do concreto:
ruir;
do Homem:
mentir;

do ciclone
é varrer o chão
da madeira
é virar caixão

da gilete:
cortar a veia
e da pá:
enterrar na areia

do fogo, o
incêndio
da mágoa:
o vilipêndio

(... chega)

anjos interrompidos
afogados em óleo lubrificante
imploram por uma
solução funcional
óbvia e urgente:

Deus
Ex machina

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Colibri desvalorizado

I Colibri desvalorizado

Os homens de branco vieram e prenderam o beija-flor na camisa-de-força. Ele caiu sedado e dormiu entre as paredes verdes do meu bebed'ouro de jardim.

No sonho demente, viu pétalas coloridas em espectro ultravioleta, orvalhadas e açucaradas lambendo-lhe com exagerado erotismo. Copulou em cápsulas.

Acordou com feridas na boca, asa empolada, trauma no bico e imuno-deprimido,
o beija-flor não resistiu.

Sua mente aprisionada, impedida de voar, provou o gosto amargo do néctar da morte, na nota suja de hum real.

O Colibri é trôco que não pára dentro da carteira.

sábado, 24 de maio de 2008

A Feira dos Livos Bêbados

De quando "O Escritorzinho de Bosta" foi convidado para ser Patrono da I Feira do Livro Bêbado da pequena cidadezinha interiorana de Pernas de Cá.

Todos aguardavam ansiosos pelo "Bosta", que iria abrir a Feria do livro declamando um dos seus desconhecidos poemas. Preocupada com a demora, a intrépida organizadora do evento cultural foi até o hotel onde "O Bosta" estava hospedado e o encontrou nu e bêbado, desmaiado na cama ao lado de mulher esculachada.

"Minha Nossa... ela nem depilou as pernas antes de dar..."

"Intrépida" arrastou-o até o banheiro e o acordou com beijos de língua, chupadas vigorosas e masturbações no pau. Excitado, o Patrono a colocou de quatro e a penetrou violentamente, depositando em suas entranhas quase-virginais, toda sua bagagem esporro-literária.

- Ohh, que delícia, Patrono! Mas precisamos ir, meu filho! Há uma cidade toda esperando por você, Escritorzinho!

- Eu sou o Bosta! O Patrono que devora seu livrinho (ic) sua vadia int... intr...répiada! Imbecil.

- Credo, você está muito bêbado... mas vamos assim, mesmo. "Aposto como ele nem reparou que sou toda depiladinha, um pitéu"

Chegando lá, o Escritorzinho de Bosta fez o que tinha que se feito e foi aplaudido por todos.

O prefeito, comovido, deu por esgaçada, rasgada e violentada, a I Feira do Livro Bêbado da pequena cidadezinha interiorana de Pernas de Cá.

"Intrépida" tomou o microfone das mãos do prefeito, antes que "O Bosta" desmaiasse em cima do púlpito:

- Violentem os livros e se deixem violentar por eles! Boa Feira a todos!

Em seguida, ela levou "O Escritorzinho" para seu apê e eles fizeram sexo por três feiras do livro consecutivas. Nem dava tempo de depilar as pernas... "huhuhu que homem"

sábado, 26 de abril de 2008

Relógios Biológicos

- então, te pego às vinte e uma para te beijar na boca
- e eu te pego às vinte e uma e quinze para chupar seu pau
- eu te pego às vinte e uma e trinta para sugar teus seios e às dez em ponto, começo a morder teu grelo e chupar sua vulva, acabando em torno de dez e quinze, dez e vinte.
- Entao, em torno de dez e quinze e dez e vinte, eu deixo você me penetrar de quatro, podendo atingir o orgasmo entre dez e trinta e dez e quarenta.
- Acredito que para uma primeira relação sexual, deverei atingir o orgasmo em torno de dez e vinte e quatro, mais ou menos. Mas em seguida, retomamos a penetração e em torno de onze horas, estarei ejaculando pela segunda vez.
- Certo, eu devo atingir o clímax mais ou menos neste horário, também.
- Que sintonia! Em torno de onze e um, onze e cinco, me apaixono por você.
- Eu me apaixono mais cedo, em torno de vinte e uma e dez, mais ou menos.
- Ah, depois do beijo na boca?
- Sim.
- Interessante. Acho que para nossa união definitiva, é questão de tempo.

A menarca e o Corvo

Querido diário,

hoje foi aniversário do Seu Carlos Lacerda, um amigo do vovô. E foi também o dia da minha menarca. Fiquei mocinha no colo do Seu Lacerda. Vi o sangue escorrer pela calça preta dele e pingar no chão, aí eu falei:

- Tio Lacerda, não conta pra ninguém.

Aí ele me olhou por trás daqueles óculos feios dele, parecia muito zangado e disse bem baixinho ao pé do meu ouvido com sua voz gutural:

- Sua vaquinha comunista.
ao passo que respondi:

- Seu corvo abobado! Imediatamente pulei do colo dele e abracei minha mãe, que percebendo o sangue nas minhas pernas, fez um escândalo pensando que o Seu Lacerda tinha me feito mal.

- Arrogante, golpista, inescrupuloso, autoritário, hipócrita, falso moralista! - foram alguns dos impropérios de mamãe para o Seu Lacerda.

E eu achando que "corvo" era um xingamento forte.

Vovô tratou de botar panos quentes e acabamos saindo pelos fundos.
Diário, que confusão, estou muito envergonhada com tudo isso. Nem comi o bolo.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Tarsila observa Carlota procurando chifres em cabeça de cavalo



Embaixo da cama, Carlota inicia sua rotina de procurar chifres na cabeça de cavalos. Pobre do cavalo da vez. No meio da façanha, pisa no penico de louça, enche os sapatinhos de mijo e se engasga com bolas de pó.

No escuro dos olhos da nobreza cega, cavalo e touro não têm diferença e apenas o chifre cravado em suas costas, avermelham a escuridão. Apenas a fumaça expelida do nariz do bovino torna o ar mais respirável no reino do Puxa-pés.

Sem senso de direção, ela abotoa os cascos de bronze e pisoteia na cabeça do cavalo da vez, enquanto o touro de sempre lhe rasga as anáguas já rotas e estupra novamente seu cu, ensanguentando as caras rendas francesas.

Os olhos do cavalo já não brilham mais.
A língua podre da infeliz Infanta sugou toda a sua energia eqüina. Suas unhas negras e sujas, bordadas com missangas e lantejoulas, já arrancaram o coração do cavalo, que nunca teve chifres, a não ser na imaginação fértil de Carlota.

Tarsila e seu cavalinho são expulsos do paraíso.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Quarenta anos e muita confusão

No dia do seu aniversário, chegou em casa e notou as luzes apagadas. Sorriu, imaginando se tratar de uma festinha surpresa organizada pelos amigos.

Quando acendeu a luz, todo sorrisos e preparado para receber a saraivada de aplausos, foi surpreendido por policiais armados com fuzis apontados em sua direção. Perplexo, ao invés dos parabéns, ouviu apenas a voz de prisão:

"- Você está preso! Você tem o direito de ficar calado..."

Que confusão! havia entrado no apartamento errado! Só torcia para que seus amigos não desistissem da festinha surpresa e o esperassem um pouco mais. Ficara sabendo que haveria até bolo com mulher nua dentro! Ajoalhado no chão com as mãos na cabeça, chorava como uma criança. Estava inconsolável e os policiais sequer escutavam seus apelos.

De nada adiantaram suas súplicas, quando viu, estava dentro do camburão. Nem mesmo o porteiro, seu conhecido de anos, ousou sair em sua defesa.

- Por favor, seu Quirino, vai lá e avisa a galera que tô indo pra delegacia!

Dormiu uma noite no xadrez e foi liberado. Chegou a pensar que tudo fazia parte do esquema da festa surpresa, mas ao invés da prostituta do bolo, passou a noite numa cela com marginais da pior estirpe.

Só no dia seguinte, tudo foi resolvido e ele foi liberado. Decidiu processar o Estado por danos morais, afinal aquele havia sido seu pior aniversário em quarenta anos de existência e aquilo não ficaria assim.

Como fazia muita questão da festa, ligou para os amigos, combinando tudo para o final de semana seguinte, queria o bolo e a puta, de qualquer jeito. Eles concordaram e arrumaram todo o esquema.

Então, no dia combinado, entrou em casa, acendeu as luzes e recebeu a saraivada de parabéns. A mulher saiu do bolo, exuberante e cantou "Happy Birthday". Tudo estava perfeito, se não fosse pelo fato do marido da vadia ter descoberto tudo e ido no apartamento do aniversariante acertar as contas. Chegou atirando, acertando dois tiros na traidora, que tombou ensanguentada sobre o bolo, inutilizando-o.

Foi todo mundo pra delegacia.

- Mas que porra, quem foi que contratou essa piranha? Foi você, Heraldo?
- Acho que foi o Valdo.
- Eu não! Foi o Borja!
- Fui eu, sim, mas que merda! Você resolveu arrumar outra festa de última hora, caralho! A gente já tinha feito a vaca para pagar a outra puta.
- E foi bem cara, viu, quarentão? Doeu no bolso, xará!
- Vocês sabiam da importância dos meus quarenta anos, seus amigos da onça!
- Como eu ia saber que a garota era casada? ela era de uma agência!
- Então vou processar essa agência! Que agência que é?
- Ah, é uma agência do meu primo, mas o cnpj é de um açougue.
- Só podia ser teu parente, né, Borja?

(silêncio)

ele continuou:

- E semana que vem, vou querer outra festa, com puta no bolo e tudo! E vejam lá se não vão fazer outra cagada, hein?

(silêncio)

segunda-feira, 7 de abril de 2008

A Touca



E pode ficar com ela. heheheeh

domingo, 6 de abril de 2008

Goteira no Videotape

Guarde suas fantasias em local fechado. Filmes sempre vazam.

Começando pelo fim

Mágoa
Vazio
- Até.
- Então até qualquer dia.

Decepção
Orgasmo unilateral
Expectativas frustradas

- Eu também
- Eu te amo.

Expectativas
Paixão
Atração Fatal

Esperança
Vazio
Mágoa

--
Não é que eu vá fazer igual, eu vou fazer pior. O Inimigo sou eu. Nem sempre se pode ser Deus. Amor é ódio separaram corações e mentes. Estou ficando louco de tanto AHAH UHUHU. A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão, ballet. Miséria é miséria em qualquer canto. Não é por não falar em felicidade, que eu não goste de felicidade. O pulso ainda pulsa...

(trechos roubados de letras dos Titãs)

=*=*=*=
Culpa da minha personalidade derrotista (Perde/Ganha). Seres humanos costumam ser óbvios.

Docinho Maravilha

Nus, os amantes se olharam assustados ao perceberem o barulho da chave girando na fechadura. Lídia, a amante, o abraçou e tentou acalmá-lo:

- Por que está tão nervoso? Vamos ficar livres dela de uma vez por todas.
- Acho que nunca ficaremos juntos, Lídia. – respondeu Rodolfo, preocupado.
- Por quê? Acha que ela lhe perdoará depois do flagrante?

Rodolfo colocou as duas mãos na cabeça e com enorme sentimento de culpa, confessou:

- Ela nunca me perdoará. Não vai dar tempo, porque eu nunca mais fiz o Docinho Maravilha pra ela... entendeu?

- O quê? – espantou-se Lídia - Rodolfo, está me dizendo que...?

Neste instante, a esposa transtornada entrou bruscamente no quarto, segurando com ambas as mãos uma arma apontada para Rodolfo.

- Eu sabia, Rodolfo! Você tem uma amante!

Muito decepcionada, ela disparou dois tiros certeiros nele, que abriu os braços e fechou os olhos, como se a sua morte fosse anunciada.

Lídia soltou um grito de horror e, chorando muito, implorou que não lhe matasse também. Ajoelhou-se diante da viúva e pediu perdão. A mulher a empurrou para o chão com um chute no rosto e fez questão de passar por cima dela com o salto agulha, enquanto caminhava lentamente em direção ao criado-mudo. Pegou a bolsa da amante e despejou os pertences sobre a cama, sem desviar a arma de sua direção. Comovida, livrou-se rapidamente da pistola ao encontrar o que tanto queria e precisava...

- Ah, Rodolfo... eu sabia... é o Docinho Maravilha... você era o único que sabia fazer esse doce fabuloso. - falou, saboreando lentamente a deliciosa iguaria.

Lídia pegou a arma e apontou em direção à assassina:

- Largue esse doce, agora! Ou senão eu atiro! – disse, sem muita certeza da sua coragem.
A esposa gargalhou, repousou a cabeça sobre o peito ensangüentado do marido e continuou saboreando o doce. Parecia não se importar com a ameaça da patética rival.

- Atire, sua louca. Quero morrer ao lado do homem que tanto amei, comendo o último Docinho Maravilha que ele produziu.

Após engolir o último pedaço do doce, a mulher sentiu a boca seca e o ar lhe faltando.

Vomitou e agonizou até a morte.

Lídia, perplexa e com pena da viúva, concluiu que Rodolfo só conseguia fazer o Docinho Maravilha para quem amava e que o doce era letal se engolido por outra mulher. Era esse o segredo do sabor especial.

As lágrimas escorriam pela sua face e tudo que ela mais desejava agora era ter seu Rodolfo de volta. Fora preciso uma tragédia como aquela para que ela descobrisse que Rodolfo a amava de verdade, pois ele não era bom com as palavras, mas era um gênio na culinária e expressava seus sentimentos através de sua arte.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

gelatina de morango

eu
você

anexo A
e B

um cordão umbilical

pingue pongue
de nutrientes

A Fuga

Luciano pegou a mochila com as chuteiras e uniforme esportivo e como fazia toda sexta-feira à noite, foi para o futebol. Joana já estava planejando aquela loucura há meses, pois não aguentava mais a sua vida de casada entediante, seu marido acomodado, o sofá, o cachorro bobo, as vizinhas pedantes, tudo estava uma porcaria e ela se sentia morta-viva aos trinta e dois anos. Foi então que resolveu fugir e cometer todas as loucuras que conseguisse, depois voltaria para casa, pediria o divórcio e pronto, estava livre. Era o plano perfeito, passou a semana toda desconcentrada no trabalho, ansiosa pela sexta-feira, já estava com a passagem de avião comprada, iria para outro estado, iria viajar de avião pela primeira vez e ficava nervosa com as notícias na televisão sobre o caos aéreo, nada poderia estragar seu plano tão bem traçado há vários meses. Achou melhor não arriscar, ao invés de ir pro aeroporto, foi para a rodoviária e tomou um ônibus para o litoral, iria passar o final de semana numa pousada na praia, melhor do que nada, afinal nunca havia feito nada parecido antes. Estava excitadíssima. Hospedou-se num hotel à beira-mar, tomou um banho, vestiu-se para conhecer a noite. Naquela época do ano, a praia não estava muito cheia, mas avistou algumas pessoas num barzinho e resolveu entrar. Pediu uma cerveja e uma porção de batatas-fritas e sentou-se numa mesa próxima a porta. Ficou lá por uma hora e meia e achou um pouco chato, não havia entrado nenhum homem interessante e os menos interessantes sequer reparavam que ela existia. "Puxa, será que sou invisível?" Paquerou o cantor da banda, afinal uma noite de sexo com um cantor de bar era uma boa fantasia. O rapaz não correspondeu. Irritou-se, pagou a conta e foi embora. Caminhou, viu lojas, comprou alguns biquínis, começou a paquerar todos os homens que via, até mesmo os adolescentes. Estava desesperada, não queria passar a noite sozinha, senão não teria valido a pena ter fugido. talvez estivesse afoita demais, precisava se acalmar.

A Fuga - Parte II

Ficou perambulando pelo centro da praia até 4h e voltou para o hotel, estava chateada, queria uma comapanhia. Pegou o celular na bolsa, já meio arrependida do que fizera, o marido certamente já havia ligado mais de dez vezes atrás dela. Para sua surpresa, não havia nenhuma mensagem no celular. "Será que aconteceu alguma coisa com o Lu?" Não podia voltar atrás, demorou a ter coragem de fugir e agora que estava longe de casa não podia ter sentimentos de culpa. Desligou o celular e o guardou na bolsa. Por dois dias não iria precisar dele. No dia seguinte, acordou cedo, colocou o biquíni e foi pra beira da praia. "Ahhh... sensação de liberdade e inependência! Isso sim é que é bom... Ahhh, a quem eu quero enganar? Esse vento frio está congelante, a praia está vazia, o mar está sujo e não tem absolutamente nada pra fazer aqui!" Voltou para o hotel, ligou o celular. Nenhuma chamada. Ligou para o marido. "Celular desligado ou fora de área? Mas que bosta!" Irritadíssima e decepcionada diante do seu fracasso como mulher livre, arrumou as malas chorando e foi pra rodoviária. Voltaria pra casa e inventaria alguma desculpa para Luciano, mas tinha que ser uma desculpa convicente. "Eu acho que estou louca, é o stress". Ele entenderia. Chegou em casa, era sábado á tarde. Não encontrou o marido. Deu uma verificada, a casa estava do mesmo jeito que havia deixado quando saiu. Se desesperou, ligou milhares de vezes para Luciano, o celular dele sempre desligado. Não dormiu, esperou por ele a noite toda. Domingo a mesma coisa. Passou o pior final de semana da sua vida.

A Fuga - Final

Finalmente, um pouco antes de terminar o Fantástico, Luciano chega em casa com o uniforme de futebol todo sujo, a mochila nas costas. Ela não acredita. Ele a olha com expressão de culpa, não consegue encará-la. Ela grita, pergunta o que aconteceu, onde ele estava, ele senta no sofá com e coloca as mãos na cabeça e desaba num choro compulsivo.

- Me perdoa, Joana, não sei o que me deu, eu estava no futebol e os caras convidaram pra ir a praia, sabe... na hora eu recusei, mas depois deu uma coisa... uma vontade de sumir, de fazer uma coisa diferente! Eu fui, me perdoa, eu fui... Joana, se não quiser me perdoar, vou entender!

Joana estava incrédula. Ficou imaginando tudo que ele fez na praia com os amigos. Era isso! Ela havia se ferrado porque foi sozinha, se tivesse ido de turma, tudo seria diferente.

- Eu... vou pensar... me dê algum tempo.
- Tá bem, todo tempo do mundo. Eu te amo, olha, eu te amo.
- tá... eu... preciso dormir um pouco.

.FIM.

No ateróide b-612


O solitário alienígena sofria de dupla personalidade: De dia, Príncipe; à noite, Rosa.

A Eddie, com amor. K.


Navalhei meu cabelo com a unha negra de um diabo cego,
pois o anjo que atearia fogo a minha trança,
se afogou com as lágrimas
de todas as fadas
que assassinou.

fé-cafécafécafécafécafécafécafé-ca

Cafezinho bom, eu tomava em 1920, com o Coronel Silveira Machado. É que dentro da xicra de cafezinho, O Conéu jogava uma péola. Sempre jogava uma péola e dizia que eu era uma Flôzinha.
Um dia, foi ter com o meu paizinho pra casar mais eu com o filho dele, um mocinho mais timo que eu e que até cruzava as perna, nunca vi aquilo antes, um moço de barba cruzando a perna.
Queria meso era casá com o Conéu, não pelas péola, é que eu gostava de chêro de café na barba dele. Gostava do chapéu dele, das bota dele, dozolho dele. Mas casei meso com o rapazola que era por dimais cheroso. cherava a tudo, menos café.
Eu, então, novinha, novinha, não sabia nada na núpcia. O moço também não sabia nada, aí nós dormiu. Sonhei com o Conéu e acordei suada, com vontade de tomá café. Parece que adivinhô meu sonho, tava ele na cozinha fazendo café pra mim. Me deu a xicra, o café, a péola e o bejo. E a inauguração da Flô aconteceu ali meso em cima da mesa de madera. Diliça o chêro da mesa, o chêro do meu Conéu e o jeito que ele me tomava como se eu fosse café.
Gravidei di primera e todo mundo acreditô que era do "Jeitoso". Mas era cria do meu Conéu. E era tinhoso o moleque, era lindo... e tinha cheiro de café.
Gravidei de novo, dessa vez de uma Flôzinha.
Depois gravidei mais uma vez, de uma Péolazinha.
E ainda quero pari de novo, tê mais fio do Conéu, que anda acabrunhado porque o café tá acabando nas fazenda... e o jeito agora era criar boi.
Mas a cabrunha dele termina quando nós se encontramo escondido na cozinha e tomamo café.
Não tem mais péola já faz tempo, mas não tem importância, já montei um colázinho.

Quantas letras tem o seu nome?

Sabem uma velha e uma criança mais do que eu, que não sei meu nome.
E se assim, os registros mentem,
quem sou eu para ele que não sabe meu nome?

O meu nome tem sete letras vezes sete significados diferentes para cada letra.
O meu nome tem sete espaços vazios vezes sete significados diferentes para cada espaço vazio.
O meu nome tem sete vezes o nome dele grafado por cima do meu.

Mas ele não sabe.
Nem a velha e a criança sabem.

O naziusmo mostrou a língua para mim

- Oi, senhor Nauzista
- Peraí, eu não sou nauzista.
- É sim.
- Por que acha isso?
- Simples, olhe para seu lado: três pessoas aí fora. E aqui dentro, eu e mais quinhentas esperando virar cinza.
- Não, não é bem assim... é nós quatro pensamos muito parecido. Não temos culpa se vocês pensam tão diferente. E para provar que não sou nauzista, vou aí dentro salvar duas pessoas.

(...)
- Viu? são eles que não quiseram ser salvos. Não sou nauzista.
- Salvos de quê?
- De si mesmos.
- E por que ao lado de vocês, eles estariam a salvo de si mesmos?
- Porque somos melhores! pronto, falei.
- Melhores em quê?
- Somos tudo que vocês queriam ser e não conseguem.
- Não seria o contrário?

- Acendam logo a fornalha!

--
Acreditam que o blog não aceita a palavra NALSISMO? rs.

Quem mandou? quem mandou? bem-feito.

- Ei, você aí!
- Não tenho dinheiro aqui...
- Não é isso, te achei bonita.
- Bonita como?- Bonita, ué.
- Bonita que nem a Grace Kelly?
- Não, bonita que nem... que nem a... você não parece com ninguém famoso não, mas é bonita.
- De onde você saiu?
- Como assim?
- De onde você saiu pra me achar bonita?
- Sei lá, eu realmente te achei bonita. Só isso.
- Bonita de querer conhecer? desse jeito?
- Não, não... bonita de olhar e dizer: Você é bonita.
- Não quer me conhecer?
- Não...rs.
- Por quê?
- Olha, gata, pára de me seguir, eu estou ficando com medo de você.
- Por quê?
- Olha, você é bonitinha, mas eu vou pegar o ônibus. Tchau, hein? prazer...
- Ei, volta aqui. Eu ainda não dei meu parecer sobre sua aparência! EI! Ei! Puxa, quase que não consigo te alcançar, cara!
- Ei, garota, eu não quero falar com você, larga meu braço, faz o favor?
- Mas você disse que eu sou bonita...
- Eu estou começando a mudar de opinião.
- Por quê?
- Eu vou avisar o motorista que você está me assediando.
- Eu? eu não estou te assediando.
- Eu vou descer nesse ponto, com licença.
- Ei, espera aí, vou descer também.
- Você está bem? precisa de alguma coisa? Olha, me deixa em paz... por favor, sou pai de família, essas coisas.
- Tudo bem, vamos lá conhecer sua família.
- Não!
- Por quê?
- Porque eu não te conheço!
- Como não? você me acha bonita e estamos há duas horas conversando...
- Caramba, onde fui me meter? Larga minha mão, por favor.
- Ei, eu posso dizer o que acho de você?
- Se for pra você cair fora, pode.
- Eu te acho bonitinho. rs.
- Obrigado.
- De nada.
- Deixa eu ir sozinho, agora?
- Já? Tava gostando desse papo.
- Eu preciso ir no banheiro! vou ver se nessa lojinha tem um, tá?
- Tá, eu espero aqui.
(...)
- Demorou, hein?
- Não acredito que você ainda está aqui!
- Eu disse que iria esperar.
- Você é maluca!
- E bonita, né?
- Onde você mora?
- Na sua casa.
- Tô falando sério...
- Eu também!

O que existe sob o endredon


indiferente a filmes e fotos
a línguas e dedos
a paus e vaginas:

frígida.

inapetente a
frutas e flores

chás e cafés
legumes e carnes:
fria.
da música francesa
dos contos de Sade
do cine de Bertolucci:

distância.

dos bares pernambucanos
das praias catarinenses
dos cassinos urugaios:

desdém.

Este tesão perdido explodiu um planeta. A nova rainha de gelo agitou os cabelos em cima do túmulo.

Nevou no cemitério.

Gilquinha e a ação contra o INSS

Sair de casa para resolver assuntos do INSS, era uma amolação para Gilquinha. Reclamona que só, para coisas responsabilidosas, bateu várias vezes a porta do guarda-roupa atrás de blusa fresca e sapato confortável.

Chegou no edifício imponente, botou o óculos e leu no papel, que a sala do advogado ficava no décimo oitavo andar. Indicado por uma amiga, Gilquinha gostou da descrição do Doutor Flávio Dídimo: um senhor de oitenta e dois anos, lúcido, professor e advogado ocupadíssimo. Ele só iria atendê-la por consideração à Lourdes.

Gilquinha entrou no elevador, apertou no botão, mas em seguida o caixote parou para pegar um rapazinho muito simpático, que deveria ter no máximo cinquenta e cinco anos. Apesar de não gostar de jovenzinhos, o galã do elevador a deixou louca de tesão.
A atração entre os dois foi fatal e em menos de cinco minutos, Gilquinha e o "pão" estavam atracados no escritório dele, fazendo griteiro sexual em cima do tampo de vidro da mesa. Ela até deixou que ele ligasse a filmadora debaixo da mesa. "Coisa excitiva se ver depois na televisão"
- Ui, isso foi bom meu guri, mas eu tô atrasada para uma consulta com o meu adevogado.
- Qual é o seu nome? pega o meu cartão, me liga a hora que tu quiser! - implorava, beijando as mãos cheirosas da melhor amante que já tivera na vida.
- Tá bom, meu anjo! Preciso ir. - disse Gilquinha puxando a mão, sem paciência e limpando na saia.
Sem dar muita importância para o cartão, ela saiu apressada, sem calçolinha mesmo. "Aquele menino tinhoso só pode ter escondido no bolso"
Era sempre assim que ela perdia as calçolinhas, mas . calçola é coisa barata, ainda bem.
Adentrou, descomposta, na sala do Doutor Dídimo e pediu desculpas pelo atraso.
- Aceita um cafezinho? Lourdes me falou muito de ti. Quer dizer, da senhora...
- Pode me chamar de tu, doutor. E aceito o café, sim - "para tirar o gosto do outro da minha boca".
A atração entre os dois foi fatal e na metade da consulta, Gilquinha e o Adevogado estavam atracados, fazendo sexo em cima do tampo de vidro da mesa.
"Ai, que amolação. Esqueci de pegar a minha fita lá na sala do Guri!" - pensou ela, desgostosa com a performance do adevogado garanhão.
Justo ele que parecia tão macho! Só adevogar do jeito que trepa, Gilquinha já dava como perdida a ação movida contra a previdência.
E o homem ainda se apaixonou, não faltava mais nada. "Ainda mato a Lourdes".

Teatro do deserto

O Cacto, muito sagaz na arte da representação artística, achava que a jovem Pedra não percebia que ao abraçá-la, na verdade, desejava sangrá-la.

Ao sangrá-la, sofria. Ao sofrer chorava.

A Pedra, sagaz na arte da representação artística, achava que o Cacto velho e espinhento não percebia que ao abraçá-lo, na verdade desejava lhe roubar pequenas gotas de água.

Ao murchá-lo, sorria. Ao sorrir, mais endurecia.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Gean na África - compartilhando experiências

Ah, ignorem os errinhos de digitação, pois este e-mail que recebi do Gean vale muito a pena.

-

Bem queria dizer que queria poder escrever para cada um de voces contando como esta sendo a minha experiencia aqui mas as condicoes nao permitem.
Cheguei a Africa a quase 20 dias e parece que foi a muito mais tempo, depois de ter passado por diversas situacoes dificeis passando pela Africa do Sul, Zimbabue e Malawi cheguei em no Norte de Mocambique, estou vivendo em meio a um Parque Nacional e apesar das doencas que matam centenas de pessoas por dia e tambem do calor que deixa a terra seca feito pedra a paisagem eh linda, a dois dias atras estava em uma escola primaria que claro nada mais eh que apenas uma arvore as licoes sao dadas ali mesmo , caderno, lapis bem estas coisas que ja comecam achar primitive para eles seria um sonho, mas bem eu estava caminhando e vi alguns homens construirem uma cerca em um lugar estranho que nao tinham o porque, entao resolve perguntar o porque eles disseram que eram pra cercar os elefantes eu achei que eles estavam loucos afinal o sol e tao quente aqui que as vezes a gente fica um pouco fora mesmo, mas em poucos minutos por entre o tronco da arvore que ensinava embaixo vi uma manada de elefantes passarem, depois de olhar tres vezes pude acreditar que sim era aquilo mesmo que estava vendo.
Aqui a vida eh sub humana claro que ja havia tentando me preparar para tudo isso mas quando voce chega aqui e percebe que a sua definicao de pobreza eh nao ter muito mas a definicao de pobreza aqui eh nao ter nada, simplesmente nada, nao sinto vergonha em dizer que ficar 5 dias sem tomar banho tem sido normal porque quando voce ve pessoas cavarem mais de 10 dias para conseguir um copo de agua e ainda sim eh uma agua suja e cheia de colera, voce comeca a pensar que usar 10 litros de agua para tomar banho seria um pouco de egoismo meu.

Ainda estou um pouco perdido, tenho trabalhado muitas horas sobre um sol filho da puta que as vezes parece que vai cozinhar meu cerebro mas ainda sim nao sei extamente como e o que posso fazer ajudar estas pessoas, eu acredito que somente o fato de elas terem sobrevivido mais de alguns meses neste lugar ja as fazem um milhao de vezes mais forte que eu, mas de qualquer forma continuo afazer meu projeto.
Ja visitei algumas vilas nos ultimos dias mas tenho percorrido um trajeto muito pequeno porque tenho usado trasnporte local e tambem meus pes.
Confesso que as vezes caminhar algumas dezenas de quilometros para chegar em lugar algum parece locura mas quando no meio deste caminho voce encontra algumas criancas para e entao ali mesmo voce distribui alguns gizes de cera e algumas folhas de papeis e eles em poucos segundos sobre o chao batido e maltrado fazem verdadeiras maravilhas isso me motiva a caminhar mais algumas dezenas de quilometros.
Agora parece que meu tempo acabou, estou usando um computador emprestado com uma conexao emprestada de um rico qualquer que usa uma puta tecnologia pra fazer um safari idiota e ver alguns animais, nao vejo nada de errado com isso se eles nao desconsiderassem as pessoas morrendo de fome na paisagem entre os animais.
Tenho que ir meu cerebro esta fervendo, o tempo vai muito rapido e ainda nao sei o que fazer…

Um grande abraco…
--
Esse cara aproveita cada segundo da vida e ainda não esquece dos amigos. Puxa, me emocionei agora... meu mundinho é tão medíocre... estou confortável numa sala com ar-condicionado reclamando de sono e vontade de tomar café. Aff... sua idiota.

Cara, eu tenho leitores!

Puxa, eu tenho leitores. Rssss
Bem, mesmo assim, eu continuarei postando sem pretensão nenhuma de deixar o blog legal para atrair mais visitantes e etc. Como a gente faz para receber comentários novos no e-mail? Facilitaria bastante.

Achei muita coisa no meu msn spaces e tô migrando pra cá.

Certeenho? eba.

Homicídio Doloso

A tosse initerrupta da minha funcionária sempre era mais insuportável nas sextas-feiras, porém naquela sexta em particular, além de tossir, ela não parava de me interromper, pedindo para usar o telefone da minha sala, já que um raio atingiu algumas linhas aqui do campus.

Ela falva alto e tossia bem do meu lado. A gota d´água foi ela ter tropeçado no fio que ligava o computador à tomada.

Nervosa, não conseguiu se desculpar, pois não parava de tossir. Instintivamente, peguei a tesoura do porta-trecos e com uma estocada certeira, furei-lhe a garganta. Ela parou de tossir na hora, doutor Cerveira.

O que vai acontecer agora?

Boxe

Final do primeiro round na luta do século, valendo o cinturão da categoria meio-pesado.
O pugilista de vermelho, favorito ao título, parece estar em pequena vantagem sobre o adversário de azul, bastando apenas um pouco de calma e concentração para vencer. Eis que surge ela, a ring girl loura, de biquíni dourado e botas pretas, levantando delicadamente a plaquinha anuciando o início do segundo round.
Ela rebolava e sorria para o público e sem motivo aparente, ela brindou o juiz e o pugilista celeste com o seu sorriso mais sensual e ignorou completamente o nosso favorito. Ela já completava a volta pelo ring e se preparava para abandoná-lo, quando o boxeador colorado, num ataque de ciúmes e tomado pela dor da rejeição, desferiu-lhe um direto, acertando seu rosto perfeito de traços angelicais.
Atônitos, público, adversário e juiz nada fizeram para impedi-lo, pois o fato se deu muito rápido. A ring girl foi parar nas cordas com o nariz sangrando e em seguida tomou um gancho de esquerda e um cruzado de direita. Zonza, a mocinha foi à lona.
Satisfeito, o pugilista de vermelho levantou os braços vitoriosos, sob uma saraivada de vaias. O juiz deu vitória ao adversário de azul, que ganhou o cinturão e perdeu a namorada, pois a ring girl apaixonada, pediu revanche ao desportista rubro e exigiu que a próxima luta entre eles ocorresse num motel.
(autoria compartilhada)

Boite Roma

Jacqueline acabara o número de streaptease e estava encostada no balcão arrumando umas cervejas na bandeja quando uma colega lhe deu o recado: mesa onze quer um programa.
"Vamos lá", pensou ela, que já trabalhava naquele inferninho há quatro anos. Jacqueline era míope, não enxergava nada a uma certa distância, por isso, encaminhou-se tranquilamente para a mesa onze, sem imaginar a surpresa que lhe aguardava.
A jovem prostituta levou um susto ao ver o senhor que a esperava. Com as duas mãos a cobrir a boca, exclamou:
- Pai??? Pai!!!
- Senta aí, gostosa.
- Ficou maluco? suma daqui!
- Que foi? eu tenho dinheiro, tá aqui! ó! Grana! - o homem começou a tirar as notas de dentro do bolso interno do paletó e jogava sobre os pés da estarrecida garota, que estava diante do motivo dela estar ali naquela boate.
Gersinho, o dono da boate não gostava nada de confusão com suas garotas e foi até onde Jacqueline estava para ver o que estava acontecendo.
- Algum problema, patrão?
- Todos, meu amigo, a piranha acha que não sou bom o suficiente pra ela.
- Jack? o que está havendo?
- Gé, esse homem é meu pai... meu pai, Gé! - falou a garota, já aos prantos.
Gersinho balançou a cabeça negativamente e mandou os seguranças o levarem pra fora. Aos gritos, o homem proferia os piores desaforos à filha.
Abraçada à bandeja de cervejas, Jacqueline olhou para Gersinho, que ajeitava a gola da camisa. Os olhos úmidos e borrados de rímel a deixavam mais bonita.
- Sabe, Gé... tem tanto tempo que estou aqui, mas nunca te disse uma coisa: tu é como um pai pra mim, sacou? valeu, cara.
- Encerra isso aqui por hoje, guria. Ao vê-la se afastar, de calcinha vermelha fio-dental, com a mão a segurar os cabelos na altura na nuca, Gersinho limpou o suor da testa e sentiu pena dela, muita pena. Pelo menos àquela hora, o filho-da-mãe estava tendo o que merecia.

Pai

Pai,
sai!
Estou pelada
e menstruada
se toca!
boboca.

Cresci
e apareci

mas tenho o recato
pelo senhor, ensinado:

feminilidade secreta: "seja discreta"

A brincadeira do Cílio

- Prima, o que está acontecendo?
- Tem um cisco no meu olho, não consigo tirar!
- Quer que assopre?
- Vai!
- fuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu
- Não cospe! vai outra vez!
- fffffffffffffffffffffffffffffffffffffffuuuuuuuuuuuuu. Saiu?
- Não. Que agonia!
- Faz a simpatia da Santa Luzia, que é batata!
- Como é que é, mesmo?
- Repete: Santa Luzia passou por aqui
- Santa Luzia passou por aqui
- Com seu cavalinho comendo capim
- Com seu cavalinho comendo capim
- Tem que dizer fazendo o sinal da cruz no olho...
- Santa Luzia passou por aqui com seu cavalinho comendo campim. Santa Luzia passou por aqui com seu cavalinho comendo capim... Ai, não adianta, não aguento mais esfregar o olho, olha só como está vermelho!
- Tenta puxar a pálpebra pelo cílio e esfrega o olho com ela...
- Assim?
- É, vai esfregando... olha se saiu...
- Não!
- Acho que eu tenho um espelho na bolsa, você precisa achar essa porcaria que entrou no seu olho!
- Rápido, o espelho...
- E aí?
- Achei! É um cílio!
- Tira!
- Espere...
- Não perde o cílio, por favor!!!
- Tirei, tá aqui ó! Vamos fazer a brincadeira do cílio.
- Vamos! Vamos! Vou pensar um desejo...
- Não vale apertar o polegar assim tão forte!
- Vale sim, o cílio estava no seu olho, é sinal que a sorte está do seu lado!
- Então vou virar meu polegar para cima também, ó.
- Pronto, vamos ver para quem saiu.
- No meu não está... Saiu pra você?
- Não... no meu também não está.
- Droga! perdemos a chance de realizar um desejo.
- Ai!
- Que foi?
- Entrou um cisco no meu olho...

Pétalas de Rosele

A vida de Rosele era cheia de espinhos, mas ela era moça bonita, nova e alegre que trabalha das onze às oito como garçonete num restaurante. Entre as mesas, a jovem morena dança, canta e espalha seu perfume de flor."Bebidas, senhor? com gelo e limão? filé mal ou bem-passado? muito obrigada, senhora, volte sempre".
À noite, Rosele vira Daysi. Troca o jeans e a camisa branca por mini-saia e mini-blusa e vai para a calçada ganhar a vida. Sob o corpo do cliente, a jovem morena, dança, geme e abre sua flor. "Gosta de submissa? Faço de tudo, o que pedir"
Aos sábados, ela troca a calçada pelo terreiro de umbanda. No meio de mães-de santo e filhos do terreiro, Rosele coloca uma flor no cabelo, gira, canta e roda a saia vermelha. "Quer conselho, misifia? Qual seu desejo? Para a Pombagira, não existe desejo impossível".
Quando não está a servir alguém, Rosele descansa e sonha. E nos sonhos, ela se vê rodeada de anjos, que cantam e dançam para ela. Belos escravos e escravas abrem passagem para um cavalheiro vestido de branco, que beija a sua mão e lhe entrega uma flor.

Grenoille's Essence

No dia do seu aniversário, Patricinho, como era conhecido, achou um vidrinho no chão, parecido com aqueles vidrinhos de remédio conta-gotas. Embaixo do recepiente, tinha um rótulo estranho: "grenoille's essence".
Curioso, resolveu colocar uma gota na palma da mão para cheirar e descobrir o que era. Mal pingou o líquido e exalou um cheirinho delicioso de buceta. Movido por um desejo selvagem e avassalador, lambeu a palma da mão várias vezes. Após passar o efeito afrodisíaco do perfume, Patricinho teve um acesso de riso e teve a idéia de fazer o bolo do seu aniversário com aquela exótica essência só para ver a reação dos seus amigos.
Misturou os ingredientes do bolo e despejou o seu achado dentro da massa. Tomou o cuidado de colocar um prendedor no nariz para não correr o risco de comer a mistura antes de levá-lo ao forno. Pelas suas contas, o bolo ficaria pronto uns quinze minutos antes dos conviados chegarem.
Durante o banho, o cheirinho proveniente da cozinha o torturava e ele se masturbou duas vezes seguidas, sentiu a língua grossa e áspera, salivava sem parar, parecia uma torneira. Completamente dominado pelo devastador aroma, ele saiu correndo, pelado pela casa em direção à cozinha, abriu o forno, sem se importar com o calor de mais de 200ºC e pegou com as mãos nuas a fôrma quente. Grunhindo como um porco sendo abatido, dominado pela insânia, ele recheou o bolo com seu esperma e desmaiou.
Quando os convidados chegaram, meia hora depois do ocorrido, o cheiro do ambiente ainda estava forte e correram todos, desesparados atrás da origem do delicioso aroma. Chegaram na cozinha e encontraram o aniversariante desmaiado, com o bolo despedaçado a sua volta. Um deles se jogou no chão, juntava os pedaços de bolo e os lambia desesperadamente. Os outros também fizeram o mesmo, mas não havia bolo suficiente para todos e então, começaram a lutar pelos farelos. Alguns homens lambiam o chão e os que não conseguiram nada, mordiam as línguas dos que já haviam saboreado o bolo de vagina.
A cozinha virou uma arena de batalha e algum tempo depois, chegou a polícia, acionada pelos vizinhos, horrorizados com o que viam de suas janelas. Patricinho foi levado para o hospital para tratar das queimaduras graves e quanto aos convidados, uns ficaram loucos e outros, viraram padres.

Surpresa cabeluda

dentro de uma gaveta havia uma fita: a fita esquecida. não tinha nem etiqueta aquela fita preta, rica de pó. curiosa que só e o vídeo-cassete? na casa da Bernadete ainda tem. Bernadete não está, mas pode usar. Você é o marido? obrigada, querido. Deve ser algum casamento ou outro lindo momento, confiro ja já, não vou demorar. Posso assistir? mas claro que sim. Aperta no play, que será que tem? parece uma bunda. É uma gruta profunda. Como é peluda. Olha lá dois caralhos, parecem paspalhos procurando um buraco. Com imagem mais nítida, fazendo boquete conheço esses seios e esse cabelo... mas não é Bernadete?

Cudemalu

Chamava-se Malu a puta do casto cu. A racha, vendia com gosto, o cu guardava pro moço que seria seu marido, a quem chamaria querido. Os anos passaram e a puta Malu, com a pureza no cu não arrumou pretendente, perdeu vários clientes, pois não fazia diferente. Velha, pobre e solteira, Malu mulher guerreira, sonhou até o final - que sofrimento! com o lindo ritual - seu casamento. Um câncer no seio e a morte veio. Malu morreu. E o cu? esqueceu? o que aconteceu?O cu da Malu... virou o virgem cu, petisco de urubu.

Esquece o Bingo, mãe

Escolheu o tom e passou o batom. Estava bonita, de bem com a vida, era domingo, iria no bingo, escondida do filho: não pode isto, não pode aquilo, pão-duro! por ele, sua vida seria um tédio, gastando tudo em remédio, nada de diversão, que chateação. Fez sinal pro coletivo, que passou batido, não param para idosos, que odiodos alguns motoristas, terroristas! Chamou um táxi, que rapaz gentil, pra onde, vovó? pra puta que pariu. só pensou. Pro bingo, falou. Na chegada, sentiu-se lesada, corrida cara! No recinto adrentrou: secura na boca, parecia uma louca, querendo jogar. Comprou a cartela, aquela rodada era dela quado uma voz escutou: Bingo! Mas não desistiu, mais uma cartela pediu, dessa vez ganharei e...bingo! não foi desta vez. Na volta pra casa, pensava decepcionada: de novo, arruinada. Sem balas pro neto, voltou para o teto que seu filho mantinha com muito suor. "Eu sei que segunda-feira será melhor".

O Sargento Gusmão

Chegou em casa ofegante, após encontrar com o amante. Nunca deixava pista, seu álibi era o dentista e quando caísse o último dente, diria que estava doente e assim ia levando, a todos engananando por anos e anos, desde a infância, cercado de ignorância, aprendeu a fingir, mentir, omitir... Beijou sem vontade, perdeu castidade na presença do pai, para provar que era macho e sossegar o seu facho de querer ser mulher. Na casa de tolerância, perdeu a esperança de ter seu espaço no mundo. Mergulhou num abismo profundo e cresceu. Daquilo que era, sentia vergonha, seu pai lhe cobrava honra. Esgotado, derrotado, decidiu acabar de vez com o sofrimento, arrumando um casamento. Durante o namoro, agiu com decoro, moço respeitador e a moça, uma flor. Muito religiosa, ia toda semana na missa, a menina submissa. Casou com Melissa pensando no cunhado, seu primeiro pecado. Passado difícil, serviu quartel; presente cruel: marido infiel, é pai ausente de um adolescente com fama de violento, mas conhecido como o filho do grande Sargento Gusmão, por quem todos tinham admiração e respeito. Se havia homem, bom, ele era o maior exemplo. De estragar a vida que inventou, é do que ele mais tem medo.

sábado, 22 de março de 2008

Vinho Menstrual

O que eu faço contigo
que vive dentro de mim

te conservo em álcool
tenho medo de te sujar
com restos de pizza

bebo água em conta-gotas
para que não te afogues

teu banho diário
de água mineral
salva minha vida

Se eu minguo aqui fora
tu cresces aqui dentro

Inapetente
te amo

me come

terça-feira, 18 de março de 2008

DASA

Condomínio Porto Real - 8. andar.

Quando abre a porta do seu apartamento para sair, Bete encontra o vizinho do 801, que estava chegando:

- Vizinho, precisava mesmo falar com você, tenho que lhe devolver o açúcar que pedi emprestado ontem... tem um tempinho?

5 mintutos depois... (sexo)

Condomínio Porto Real - 7. andar - elevador .

Bete é surpreendida pelo síndico que lhe cumprimenta e comenta sobre a chamada extra que será cobrada dos moradores.

5 minutos depois... (sexo)

Condomínio Porto Real - portaria

Bete cumprimenta o novo porteiro, que gentilmente lhe entrega a correspondência.

5 minutos depois... (sexo)

Condomínio Porto Real - Jardim

Bete finge que não vê o jardineiro, mas ele corre atrás dela com uma margarida na mão.

5 minutos depois... (sexo)

Avenida Bento Rodrigues

Bete está atrasada e chama um táxi

5 minutos depois... (sexo)

Edifício Comercial Pessoa de Mesquita - 1. andar - DASA (Dependentes de Amor e Sexo Anônimos)

"Bom dia a todos, meu nome é Elisabeth Pampulha Novaes, tenho vinte e oito anos e sou viciada em sexo. Eu... eu... estava... quer dizer... estou... há...nove dias sem ter relações... sexuais"


(aplausos)

Iron, Vodka e Dedalismo

Foi uma noite da pesada, regada a álcool e Heavy Metal. Eu não fui no show do Iron Maiden, porque sou claustrofóbico e só transo com a janela aberta, mas eu adoro a banda e ontem ... escutei toda a discografia dos caras, bem acompanhado de Natasha e Waleska (as vodkats)... ahahaha, eu, Iron e as vodkats... mas hoje me sinto estranho, estou tendo aqueles alucinações que entristecem mamãe e papai.

a garrafa
evacuao resíduo

pela goela,
esquecido

a garrafa
escarra

o muco
volátil
cruento

ejacula esperma
pestífero, estéril

contaminada,
a garrafa
espalha

garrafite

- Mamãe, separe copos e talheres! - não avisei.

Vovó Jilquinha vai a São Paulo

Vovó Jilquinha era popular no orkut, tinha quase um milhão de amigos e recados.
Tô quase lotando, filho! - dizia ela ao recusar um pedido de adedê.

Através do orkut, ela tentou encontrar seus ex-namorados e o único que ainda estava vivo era o paulista Julinho Caetano. Ele não tinha orkut, mas Jilquinha era amiga do bisneto e depois de dois meses conversando no mensageiro, as informações batiam. Era ele! Salete, a empregada, se assustou com a gritaria e foi até o quarto da vovó conferir se estava tudo bem.

Encontrou-a de braços levantados, batendo pelanquinha do tríceps e dançando forró de olho fechado.

- Achei meu examor paulista, Salete! Vou viajar de avinhão!
- Que fogo, hein dona Jilquinha? Quantos anos ele tem?
- Oitenta e dois.
- Virgem! Não vai dar no côro, não...
- Ah, vai!

A conversa pelo telefone:

- Jilquinha, quando você vem me vê?
- Comprei a passagem para sábado, bem. O bisneto vai me esperar no GRU.
- Hein?? quando você vem me vê?
- SÁÁÁBAAAAADOOOOOO!!

O reencontro

Dona Jilquinha adorou São Paulo, mas achou a viagem de táxi muito comprida e chegou na casa do Caetano meio descaderada.

- Vovó Jilquinha, amanhã eu venho aqui para gente tirar umas fotos para botar no orkut, tá bem?
- Claro, Caetaninho! Vem amanhã de tarde, viu, bem? Te manda, Guri!!

Jilquinha e o paulista se beijaram longamente. Era muita saudade e muito tesão.

- Você ficou mais gostosa, Gaúcha!
- Você não viu nada, vamo pra cama, Caetano!
- Vamo nada, vai ser aqui mesmo no carpete! Como é aquela palavra que você dizia?
- Aiiii, coisa excitiva!
- Olha aqui como eu tô!
- Paulista safado! Adoro...

E...depois de um final de semana de sexo alucinante, era hora de Jilquinha retornar...

- Jilca, eu te amo, gostosa! sua baxera continua apertada e quente
- Ai, pára... hihi... tenho que ir...
- Mas por que você não casa mais eu e fica morando aqui? Você não me ama?
- Amo! sempre amei.
- Então fica!
- Mas sabe o que é, bem? o que me apetece mesmo, é a aventura! eu sou maluca, tu não sabe?- É... Juízo você nunca teve. Mas eu posso morrer amanhã... e se você demora a voltar?
- Não morreu até hoje, não morre mais. Agora tira essa calça que eu quero me despedir direito.

Cátia Perigosa - Begins


Riu.
Sentiu sua razão escorrer pelo o ralo quando o conheceu:

Padre, Igreja enfeitada com rosas brancas, padrinhos e damas de honra. Aquilo não significava nada para ela. A noiva era sua própria mãe, mas as duas viviam distantes desde o divórcio.

Ela se aproximou e fez menção de abraçar o pai, mas este se limitou apenas a segurar suas mãos delicadas num gesto meramente cordial.

- Pai, você viu a Lea? – perguntou, confusa. Cátia era apenas uma criança quando Lea morreu afogada na piscina... Foi um acidente, mas seu pai nunca se convencera disto.

Apresentou-se ao noivo. Ele, nervoso e inquieto, apenas comentou sobre a semelhança física entre Cátia e a mãe. Ela encantada, já se imaginava transando com ele numa praia deserta, grávida de gêmeos.A garota se afastou e correu até a limousine da noiva.

Entrou, sentou-se ao lado da mãe e em seguida, tirou delicadamente a pistola de dentro da bolsinha dourada. Apontou para a cabeça da mulher e pediu ao Choffeur que discretamente, saísse com o carro ou senão, todos iriam morrer.

- Cátia, Por que está fazendo isso? – perguntou a noiva, aflita, sem acreditar que aquilo estava acontecendo no dia do seu casamento.

- Cála a boca! - gritou Cátia, desconcertada, pois nem ao menos ela, sabia ao certo o motivo, só sentia a necessidade de fazer.

O celular da vítima começou a tocar e ela chorou convulsivamente, imaginando a preocupação de todos com sua demora. Cátia jogou o objeto pela janela.

- Você o ama? - perguntou para a mãe, que balançou a cabeça afirmativamente.
- Eu também o amo. Vagabunda! E com uma coronhada na cabeça, fez a rival desmaiar no banco de trás do carro.
- Pára esse carro. Cai fora! Cai fora!
O choffeur obedeceu e antes que saísse do automóvel, levou um tiro pelas costas. Cátia pulou para o banco da frente, chutou o corpo para fora do veículo, disparou mais algumas vezes e resolveu colocá-lo dentro do porta-malas.

Não sabia que era tão forte. Voltou para o carro e acelerou. O suor escorria pela testa coberta de maquilagem. Ela fitou-se no espelho: Era uma linda assassina de dezoito anos, parecida com uma princesa. De vez em quando, olhava para trás e contemplava, com um sorriso mórbido, a noiva desfalecida.

Riu.
Seus pudores escorreram pelo o ralo quando conheceu seu primeiro amor...
Nela, na vagabunda, foram três tiros ao todo... nenhuma lágrima pingou do cano da pistola.

Cátia foi obrigada a viver escondida depois daquilo. Escondeu-se de tudo, menos do amor obsessivo pelo noivo da sua mãe. "Como era mesmo o nome dele? - Foda-se!"

O reencontro

Acordou amarrado e amordaçado num galpão escuro de madeira. Só lembrava que Cátia, a enteada bateu à sua porta, muito assustada, dizendo ter fugido do cativeiro, onde seqüestradores mantinham a mãe aprisionada.

Ela o abraçou emocionada, pedindo ajuda para resgatá-la, porém, ela o impediu de chamar a polícia imediatamente, disse que estava muito cansada e que fariam isso no dia seguinte. Ele desconfiou daquela atitude e fez menção de ligar para a polícia. Ela se insinuou, se despiu e pediu para ser possuída. Ele a rejeitou e... não lembrava de mais nada...

- Oi. – disse Cátia ao cativo.- mmmfmmmmmmfmmmm
- Cale-se, você não vê que está amordaçado, imbecil? Tenho uma péssima notícia... Ei, quer escutar? Não te amo mais. Não te amo mais, entendeu? (Dois tapas na cara dele, um de cada lado)

Cátia apontou a arma para o rosto dele e falou:
- Por sua culpa, matei minha mãezinha... minha querida mãezinha... porque eu achava que iríamos ser felizes para sempre se ela... Ohhh... mas eu cometi um erro, porque você não me quis...

Nele, no desgraçado, foi um tiro e nenhuma lágrima. Ele mereceu. A morte da mãe estava vingada.
Mas aquele tiro não tinha conseguido acalmar seu coração magoado então, antes de subir na moto, ela incendiou o galpão.

terça-feira, 4 de março de 2008

Vovó Jilquinha - nome que engana

Vovó Jilca, setenta e seis anos, muito bem vividos - segundo consta em sua biografia autorizadíssima - acordou com fogo no rabo naquele dia.

Queria bater punhetas e recordes. Tomou café com rapadura, pintou a boca e chamou os homens. Só conseguiu recolher dez pelo bairro, mas ficou satisfeita com o número. Até pai e filho ela conseguiu juntar.

"Coisa excitiva" - dizia ela, faceira.

Nem se preocupou em perguntar os nomes deles, pois a memória não ia dar conta. Em compensação, com "a baxera", ela se garantia. ("baxera", era como a vovó chamava pau e buceta).

Jilquinha, como gostava de ser chamada, se pelou na frente do macharedo, deitou de barriga pra cima numa mesa forrada com uma colcha colorida (presente da falecida filha), abriu as pernas e chamou o primeiro.

- Mete, filho! Mete bem.

E foi assim dez vezes, pena que não gozou em nenhuma. Então, ela esperou eles irem embora, levantou (um pouco descaderada), foi na cozinha, pegou a fôrma de gelo, tirou duas pedras e esfregou na "baxera" até gozar.

- Aiii... quem precisa de hômi??? coisa excitiva!

domingo, 2 de março de 2008

Mais velhas

Imagem: due (ükma)

Mari tinha preferência por mulheres mais velhas porque eram mais permissivas, fogosas e experientes, então convidou a Ju para um drink. Ela aceitou o convite, mas logo foi dizendo que não queria compromisso sério com mulheres, que não era lésbica e que buscava apenas sexo casual e alguma novidade.


Dona de uma risada gostosa, aceitou o cigarro que Mari colocou entre seus lábios. Beberam um pouco no mesmo copo e sedutora, Ju apelidou carinhosamente a amiga de sapinha por causa dos seus olhos grandes, úmidos e redondos. Já na primeira investida de Mari, Ju cedeu ao beijo.

Beijou gostoso e demorado, provocando a outra ao máximo com a língua e com as mãos. Sentiu calor e ruborizou, excitada.

Maliciosa, aceitou ir para o carro e não fez objeção quando teve o seio macio tocado, beijado, lambido e chupado pela garota afoita. Estava gostando e demonstrava querer mais. Ousou conferir a excitação de Mari com os dedos, arrancando-lhe gemidos e longos suspiros. Mari estava muito molhada e aqueles beijos deixavam-na louca!

"Se não convidá-la para ir para a cama posso até ofendê-la. Imagina o seu rosto de decepção se eu lhe perguntasse: quer que eu a leve para casa ou você prefere ir a minha, conhecer a minha mãe? Um absurdo! ela ficaria traumatizada, se sentiria rejeitada e lembraria de mim como uma menina tola e inexperiente que a desprezou."

Mari beliscou o seio de Ju e chamou-a de gostosa. Levou um tapinha na cara, de brincadeira. Ju gostava de sexo selvagem e deu a entender que estava pronta. Mari afastou-a para ligar o rádio.

– calma, linda... já volto para seus braços, vou colocar uma música romântica.
O rosto de Ju se iluminou com um sorriso encantador. Ela se rendeu definitivamente.

- Eu adoro essa música! você é uma sapinha maravilhosa! maravilhosa! Encheu-a de beijinhos e mordidinhas pelo pescoço. Desconcertada, Mari fez o convite:

– Amor, por que não vamos para um lugar mais sossegado, você está me deixando num estado que... - Ju achou graça e interrompeu-a com uma mordida nos lábios.

Em seguida, abaixou a cabeça, levantou a saia da amiga e com o rosto entre as pernas dela, disse:- Podemos ir... dirige aí, me leve aonde quiser!

“Safada, mordeu minha boca! que delícia... agora ela está fazendo a mesma coisa com os outros lábios... mordendo e chupando... aiii... Calma, Mari... você é uma boa motorista, você é uma... Aiiiiii...ÓTIMA motorista... puta que pariu... aiii... Virgem Santa! O quê??... ai, isso não... Ohhhhh... sim... sim... diminuo a velocidade ou acelero?? Meu Deus... ahhhhhh... que boca... que língua...”

Chegaram ao motel e Mari se esbaldou no corpo gostoso de Ju. Fez o que quis e o que fora obrigada a fazer. Nunca havia espancado ninguém antes, mas gostou de brincar de Domme...
Noite perfeita, Ju era uma mulher incrível, talvez Mari a convidasse para sair novamente no próximo final de semana, mesmo correndo o risco de levar um fora...

– Vou tentar, quem sabe? Falou com pesar, enquanto escutava Ju, urinando no banheiro do motel. Riu do barulhinho da urina.

- Que porra! Eu não posso me apaixonar por essa mulher! Mas por que o tilintar do seu xixi no vaso sanitário tem que ser tão lindo?

- O que você está falando aí, Sapinha? - gritou Ju.

- Nada, Amor... estou sonhando alto... mija logo! Já estou co saudades!

- Vem aqui! vem! - tive uma idéia.

Nick, a Vítima da banalidade

O olho seco do tarado a persegue sorrateiro pelo jardim enfeitado de bexigas coloridas. Como um polvo venenoso, ele prepara as ventosas para o ataque.

No centro da ciranda, ela não tinha pressa de crescer. Tão alegre e infantil apesar dos vinte anos de vida, sonhava naquele momento apenas com uma fatia do bolo de brigadeiro e com alguns balões cor-de-rosa de levar para casa. O pequeno rosto, danificado pela acne não a deixava menos bela, nem as gordurinhas salientes no vestido rodado, marcado na cintura.

Salivando, o maníaco sexual espera o momento certo de atacar. Ele tem paciência, mas seu corpo trêmulo já não consegue mais suportar a vontade de estuprar, era um vício que só a morte poderia curar.

É chegada a hora de cantar os parabéns e soprar as velinhas, as crianças correm para dentro de casa, mas Nick é seduzida por um assovio e se distancia dos pequenos. Ele a puxa pelos cabelos, cobre seu rosto com um saco e desfere vários socos contra o rosto da jovem, que não esboça nenhuma reação. Desmaiada, Nick é colocada num chevette pretode roda cromada, aro estrela e banco de couro. Longe dali, ele a despe mas por algum motivo, não consuma o ato sexual. Nervoso demais para matá-la, simplesmente abre a porta do carro e desova o corpo nu em um beco escuro. Antes de voltar para o carro, ele ainda desfere vários golpes contra o rosto da menina, desta vez, com um pedaço de pau.

Horas depois, dois mendigos a encontram e tiram o saco da cabeça da garota. Nem imaginavam como ela era antes. Seu rosto estava desfigurado.

- Tapa a cara dela, anda! é nojento! – disse um deles, demonstrando visível mal-estar.
- O que vamos fazer? ela está respirando muito devagar...
- Vamos matá-la. Vai ser melhor para ela. Ela foi estuprada e está com a cara toda deformada!
- Eu nunca matei ninguém!
- Vai ser melhor para ela... e então, o mendigo mais velho se ajoelha sobre o corpo e aperta seu pescoço até matá-la por asfixia.
- Vamos nos mandar daqui, rápido!
- Foi melhor para ela... ela foi estuprada... e estava feia...
- Vamos, vamos logo!

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Embarque Internacional

]Abrir portas[

-Sou o diabo, madame. Não acredita? um dois três e sua alma é minha. Você a perdeu junto com a fé. Diabo é coisa de Deus, madame. Não acredita? um dois três e você está abortando. AHAHAH! Joguem o feto aos leões.
Eu compro seus olhos apavorados. Quanto eles valem?
Quanto mal a madame já fez?
um dois três. Faça seu preço...

[Fechar portas].

O quarto de hospital era tranquilizante e ela estava só. "Perdi o vôo e todo o resto". Lembrou-se da gravidez, mas sentia-se oca. "De novo. Dessa vez eu queria". Levou as mãos aos olhos... doíam. "O Diabo é bonito de doer" - pensou.

Sentia-se fraca... Em breve a polícia iria entrar pela porta verde, a interrogaria e a levaria presa. Ela teria que explicar como aquela cocaína foi parar dentro de suas botas, seria obrigada a confessar todos os detalhes do tráfico, "blá blá blá... é a porra da delação premiada". Ela já sabia de tudo na teoria, mas na prática...

]Abrir portas[

... iria morrer antes que a polícia entrasse por aquela porta.

Nêga, Nêguinha meu amor

Imagem: Jana (kümka)
Teus dedos contém sedativos
que me transformam em rata de laboratório
eu vivo dentro de um aquário de vidro
forrado com os fios do teu cabelo:
-capinzinho negro chamuscado de tudo quanto é sol-
sou importante para ti
sou tão necessária quanto o lápis
de cor vermelha
que contorna teus lábios exibicionistas
meus olhos de camudonga tonta
(duas cabeças-de-alfinete)
são facilmente hipnotizados
pelo swing natural do balançar dos teus seios,
duas cantoras de rhythm'blues:
Big Maybelle e Billie Holiday

O palhaço Kunko e seu número clichê



Imagem: A menarca da contorcionista (ükma)

O circo Espetacular tem a honra de apresentar...Era chegada a hora de entrar no picadeiro.
kunko faceiro, pequenino, pouco mais que um menino, ele é o palhaço, que perdeu o cabaço no camarim de Jasmim, a equilibrista desequilibrada, casada com o mágico. Flagrante trágico! Prometeu vingança ao final do espetáculo, mas o peso da ameaça não lhe tirava a graça, não era obstáculo, cada riso da criança lhe enchia de esperança, cada aplauso de um adulto, mais energia para tudo. Viu na terceira fila, a seriedade de uma velhota se transformar em sorriso com sua melhor cambalhota.
Longe dali, chorava Jasmim. "Pobre menino, tão querido". Pediu ao marido que lhe desse a facada, pois ela era a culpada. O ilusionista iludido, e também comovido, sofrendo por amar e com dó do menino, perdoou a safada, enquanto do outro lado, ouvia as gargalhadas. Chegada a hora da morte, o palhacinho sem sorte, tirou o nariz de plástico, rezou um pai-nosso e uma ave-maria e encarou o mágico, que nada dizia. Estava acabado, foi perdoado, no dia seguinte, um novo espetáculo.
E assim aconteceu. O dia amanheceu e Carícia, a contorcionista, filha do ilusionista se declarou emocionada: "Estou apaixonada". Os dois pequeninos, meninos ainda enquanto se amavam não notaram que o pai, revoltado, mais uma vez para matar estava preparado: "primeiro pegaste a madrasta e agora enganaste a minha filha! Tua lábia, palhaço, é a maior armadilha""Seu mágico, o que pensas de mim não tem nexo! Com Jasmin, foi apenas sexo! não guarde rancor, com Carícia, é amor!" A jovenzinha deflorada implorou ao pai emocionado, que perdoasse mais uma vez o seu namorado.
E assim, este seria o fim, porém, Carícia e o pai ouviram Kunko dizer "ai" num abafado gemido, e em seguida tombar como um animal abatido. Jasmim havia atirado em quem havia lhe enganado. Não suportou ter sido trocada pela jovem enteada.
O circo Espetacular acabou. Perdoe a falta de rima, é que sinceramente, não há mais clima.

A índia Loura (Dulecê)

Imagem: Dulecê (ükma)
A heroína desta história chama-se Dulecê, uma índia sem tribo, muito loura, de peito zarolho com bicos iguais a pontas de flecha.
Nasceu sem cabaço porque o dito-cujo foi prometido ainda no útero por sua mãe aos espíritos da cachoeira em troca de chuva. Nunca fez falta, não.
"Lá vem Dulecê, a índia cabeça-de-palha!" - cantava a natureza.
E ela chacolhava os quadris no ritmo do seu nome.
Na madrugada verde-bandeira, a amazona nata cavalgava com seus mil pêlos d'ouro surribando na crina castanha do Andaluz bravio, acompanhada sem perceber por uma constelação de olhos entocaiados, que a desejavam mais do que coração ao sangue.
Era chegada a hora de ser mulher e Dulecê se foi sem despedida, sem nada.
Era agora uma índia rameira, sem eira-nem beira. Foi seduzida por olhos bêbados que a cobriram de vestidos de chita, sandálias rasteiras e bijoux. Do seu espírito selvagem, apenas conservou a boca sem cor, a cantiga faceira e o crédito na felicidade.
Os olhos de Dulecê quase não viram lágrimas enquanto estiveram vivos.
À luz do luar
uma cabeça-de-palha
sem pena,
rola no chão
Degolaram a índia loura e ainda
lamberam o facão
E assim termina a trajetória da índia muito loira. Espero que a amem tanto quanto o seu assassino a amou.

O Cortejo da Mania

Enfeitou com flores e fitas
o andor para em procissão solitária
levar a Loucura
ao altar, construído
no interior de um templo abstrato.

De seda, pendores,
insígnias divinas
cruzes e jóias
fitas mimosas
azuis, cor-de-rosa
ciranda de cores

um passarinho pousa na imagem
- mais um enfeite
enviado para fortalecer a crença
nos milagres da Demência

Sagrada Insanidade,
rogai por nós!

E segue solitário
de olhos fechados
em reza cantada...

o templo está aberto...
... a esperá-lo com festa.

Flá

Imagem: Flá (ükma) Sopa de estrela gelada
dentro do espelho d’água,
faz meu olho derreter,
deixa a pele arrepiada.

Queima a noite mal dormida,
alaga fauna e flora,
rouba a essência da vida.

Dentro da boca mofada,
doente, seca, inflamada,
recebo o sopro sagrado
da messalina dourada

- fumaça de encanto quebrado
exalando da língua encantada -

Redenção dos penitentes
nua, expõe sem pudores
seu monte em chamas
que anseia por dores

Vitrine viva bacante
casulo secreto
das paixões latentes
berço indiscreto dos amores
doentes

Seduzida, ataco a visão
com fúria
e faço de seu corpo
morada

Entro pela boca
e escorro pela garganta,

pisoteio seu ventre,
mordo seu coração.

A violento com sede:
em seu interior fecundo
planto minha semente

Ali ficarei enraizada
e receberei seus homens

Escravizarei a todos
para seu prazer

- um a um matarei de sede,
calor e desejo –

- Messalina,
assim serei amada
e te darei gozos de dor.

Em troca, te entrego minha alma
para que faças acordocom o Diabo

(Até esse coitado
em tuas mãosserá escravo).

Noite Passada a limpo

Imagem: marionete (ükma)
A noite passada acordou fantasiada de Suplício. Dona Noite, como ela gosta de ser chamada, sempre me encontra e me escolhe para ajudá-la em seus números de ilusionismo que se estendem até o amanhecer.

Passa o gato por cima da cama, o vento no ventilador, o barulho da chama da vela queimando no andor da procissão;

passa o perfume das flores, as vozes do além, o frio na janela, o cortejo das trevas cantando e rezando - amém.

Passa os três patetas na tela, a sede por cima da língua, o lençol sobre os pés

O pezinho que eu puxei
de criança atormentada
eu lambi e machuquei
quando dei uma dentada
tão branquinho e pequenino
parecia um bijouzinho

Dona Noite dá gargalhadas da minha superstição infantil e também arremeda meus gritos de dor sempre que o Pesadelo traz a família para fazer piquenique no meu estômago.

Ele também passa no sonho, mas é só pra me torturar, pois sei que Ele é a Noite fantasiada de suplício que me enconta e me escolhe para ajudá-la em seus números de ilusionismo que se estendem até o amanhecer.

Amor Inimigo

Eu te amei
Como Somoza amou Sandino
Como Garrastazu amou a subversão

Igual amor do semita pelo nazista
igual amor que o ateu confia ao Deus dos cristãos

Eu te amo
Com o mesmo amor que sente o mogno da Amazônia
ao morrer pelos dentes da serra elétrica

Como o viciado ama a abstinência forçada
Como uma mulher violentada ama o tarado que destruiu sua vida
e limitou seus desejos a uma simples noite sem pesadelos.

Lyrics: titãs
O inimigo sou eu
O inimigo é você

O amor é o pior inimigo, disfarçado de ódio.

Não aconteceu no Hotel Califórnia

Imagem: lágrimas (ükma)
Contemplo a mulher deitada
depois do banho de vinho
depois do banho de sêmen
depois do banho de cuspe
depois do banho de espuma
depois do banho de mar
depois do banho de chuva

Alcoolicamente, deduzo ter entrado no quarto errado e concluo melancolicamente que está tudo errado.

Eu gostaria muito que a máxima: "tudo só acaba quando termina" funcionasse comigo de vez em quando. Minhas unhas, por exemplo, resolveram nascer quebradas. Ultimamente, tudo tem acabado antes de começar.

No meu quarto tem analgésicos, chuveiro, cerveja e um espelho.Apesar de restritas, foram as únicas opções que me restaram e eu tentarei me virar com elas hoje à noite.

Cátia Perigosa I e II

Imagem: olho e corrente sangüinea (ükma)
I.


Acenou, despedindo-se para sempre do homem adormecido. Ele não deve ter sofrido quando a bala alojou-se no lado esquerdo da sua cabeça, pois sabia muito bem que ela era uma mulher desequilibrada e fascínora, uma assassina em série procurada pela polícia. Ele corria perigo ao seu lado, mas mesmo assim, aceitou correr aquele risco e se entregou a ela como jamais havia feito antes com mulher alguma.


Antes de adormecer, ele a beijou com paixão e falou "Caso não nos vejamos mais, saiba que foste tu a mulher que mais amei na vida".


Ela não titubeou ao atirar, pois já haviam tentado enganá-la antes com argumentos bem mais convicentes. "Esses depravados só querem fama às minhas custas." - disse, sem esconder o seu ódio ao imaginar a notícia no jornal: "Sobrevivente revela como conveceu assassina em série a desistir do crime".


Cátia largou a arma em cima da cama, tirou as luvas, suspirou por um tempo e pensou:


"Mas e se fosse verdade... hein?"



II.


Adorável anjo, vou te assistir dormindo.
Não acorde agora,
pois vou esfaquear e violentar
o seu travesseiro
só porque você esqueceu de colocar a fronha.

Não tente me enganar, fingindo-se de almofada,
conheço muito bem a distância entre o sofá e a cama

Não tenha medo do fio,
Eu sei que você não precisa de brincos de pena,
suas orelhas não correm perigo algum,
muito menos o seu pescoço.

Você precisa é de uma língua quente perfurando sua boca úmida
e de mãos treinadas no manuseio de armas brancas.

A Massagista

Imagem: Elisa (ükma)
Minha mulher é massagista
Ela jura que não dá
Mas tenho mau-pressentimento
Pois cada mês, a vida fica mais cara
Uma vez ou outra
Ela se sacrifica, aposto
Para que a nossa sacola não saia vazia
quando vamos ao supermercado

Quando chego em casa
Depois de um dia na fila do emprego
Ela insiste em fazer massagem
Mas eu não aceito, tenho medo de saber
como se sentem os clientes dela
E como ela se comporta com eles

Ela quer saber que calcinha deve usar
Eu sempre escolho a preta
Pois ela tem os pêlos pubianos fartos e negros
Com as clarinhas, aparece.
Até biquíni claro, desaprovo.

Gosto de vê-la maquiada pra sair, parece outra pessoa.
Sempre fica uma marca vermelha na minha boca.
Limpo depressa
Parece traição.
Sou fiel.
Quando ela chega, fico aliviado.
É perigoso andar na rua de noite.
Se ela conversa comigo depois do banho, é porque a noite foi boa.
Se ela deita e vira para o lado, é porque foi ruim.
Gosto de segunda-feira à noite.
Ela fica em casa e faz o jantar
Reclama que faz uma semana que não transa, já me empurrando pra cama.
Engraçado que eu acredito quando ela fala, acho que ela não dá, mesmo.
Só faz massagem.