- então, te pego às vinte e uma para te beijar na boca
- e eu te pego às vinte e uma e quinze para chupar seu pau
- eu te pego às vinte e uma e trinta para sugar teus seios e às dez em ponto, começo a morder teu grelo e chupar sua vulva, acabando em torno de dez e quinze, dez e vinte.
- Entao, em torno de dez e quinze e dez e vinte, eu deixo você me penetrar de quatro, podendo atingir o orgasmo entre dez e trinta e dez e quarenta.
- Acredito que para uma primeira relação sexual, deverei atingir o orgasmo em torno de dez e vinte e quatro, mais ou menos. Mas em seguida, retomamos a penetração e em torno de onze horas, estarei ejaculando pela segunda vez.
- Certo, eu devo atingir o clímax mais ou menos neste horário, também.
- Que sintonia! Em torno de onze e um, onze e cinco, me apaixono por você.
- Eu me apaixono mais cedo, em torno de vinte e uma e dez, mais ou menos.
- Ah, depois do beijo na boca?
- Sim.
- Interessante. Acho que para nossa união definitiva, é questão de tempo.
sábado, 26 de abril de 2008
A menarca e o Corvo
Querido diário,
hoje foi aniversário do Seu Carlos Lacerda, um amigo do vovô. E foi também o dia da minha menarca. Fiquei mocinha no colo do Seu Lacerda. Vi o sangue escorrer pela calça preta dele e pingar no chão, aí eu falei:
- Tio Lacerda, não conta pra ninguém.
Aí ele me olhou por trás daqueles óculos feios dele, parecia muito zangado e disse bem baixinho ao pé do meu ouvido com sua voz gutural:
- Sua vaquinha comunista.
ao passo que respondi:
- Seu corvo abobado! Imediatamente pulei do colo dele e abracei minha mãe, que percebendo o sangue nas minhas pernas, fez um escândalo pensando que o Seu Lacerda tinha me feito mal.
- Arrogante, golpista, inescrupuloso, autoritário, hipócrita, falso moralista! - foram alguns dos impropérios de mamãe para o Seu Lacerda.
E eu achando que "corvo" era um xingamento forte.
Vovô tratou de botar panos quentes e acabamos saindo pelos fundos.
Diário, que confusão, estou muito envergonhada com tudo isso. Nem comi o bolo.
hoje foi aniversário do Seu Carlos Lacerda, um amigo do vovô. E foi também o dia da minha menarca. Fiquei mocinha no colo do Seu Lacerda. Vi o sangue escorrer pela calça preta dele e pingar no chão, aí eu falei:
- Tio Lacerda, não conta pra ninguém.
Aí ele me olhou por trás daqueles óculos feios dele, parecia muito zangado e disse bem baixinho ao pé do meu ouvido com sua voz gutural:
- Sua vaquinha comunista.
ao passo que respondi:
- Seu corvo abobado! Imediatamente pulei do colo dele e abracei minha mãe, que percebendo o sangue nas minhas pernas, fez um escândalo pensando que o Seu Lacerda tinha me feito mal.
- Arrogante, golpista, inescrupuloso, autoritário, hipócrita, falso moralista! - foram alguns dos impropérios de mamãe para o Seu Lacerda.
E eu achando que "corvo" era um xingamento forte.
Vovô tratou de botar panos quentes e acabamos saindo pelos fundos.
Diário, que confusão, estou muito envergonhada com tudo isso. Nem comi o bolo.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Tarsila observa Carlota procurando chifres em cabeça de cavalo
Embaixo da cama, Carlota inicia sua rotina de procurar chifres na cabeça de cavalos. Pobre do cavalo da vez. No meio da façanha, pisa no penico de louça, enche os sapatinhos de mijo e se engasga com bolas de pó.
No escuro dos olhos da nobreza cega, cavalo e touro não têm diferença e apenas o chifre cravado em suas costas, avermelham a escuridão. Apenas a fumaça expelida do nariz do bovino torna o ar mais respirável no reino do Puxa-pés.
Sem senso de direção, ela abotoa os cascos de bronze e pisoteia na cabeça do cavalo da vez, enquanto o touro de sempre lhe rasga as anáguas já rotas e estupra novamente seu cu, ensanguentando as caras rendas francesas.
Os olhos do cavalo já não brilham mais.
A língua podre da infeliz Infanta sugou toda a sua energia eqüina. Suas unhas negras e sujas, bordadas com missangas e lantejoulas, já arrancaram o coração do cavalo, que nunca teve chifres, a não ser na imaginação fértil de Carlota.
Tarsila e seu cavalinho são expulsos do paraíso.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Quarenta anos e muita confusão
No dia do seu aniversário, chegou em casa e notou as luzes apagadas. Sorriu, imaginando se tratar de uma festinha surpresa organizada pelos amigos.
Quando acendeu a luz, todo sorrisos e preparado para receber a saraivada de aplausos, foi surpreendido por policiais armados com fuzis apontados em sua direção. Perplexo, ao invés dos parabéns, ouviu apenas a voz de prisão:
"- Você está preso! Você tem o direito de ficar calado..."
Que confusão! havia entrado no apartamento errado! Só torcia para que seus amigos não desistissem da festinha surpresa e o esperassem um pouco mais. Ficara sabendo que haveria até bolo com mulher nua dentro! Ajoalhado no chão com as mãos na cabeça, chorava como uma criança. Estava inconsolável e os policiais sequer escutavam seus apelos.
De nada adiantaram suas súplicas, quando viu, estava dentro do camburão. Nem mesmo o porteiro, seu conhecido de anos, ousou sair em sua defesa.
- Por favor, seu Quirino, vai lá e avisa a galera que tô indo pra delegacia!
Dormiu uma noite no xadrez e foi liberado. Chegou a pensar que tudo fazia parte do esquema da festa surpresa, mas ao invés da prostituta do bolo, passou a noite numa cela com marginais da pior estirpe.
Só no dia seguinte, tudo foi resolvido e ele foi liberado. Decidiu processar o Estado por danos morais, afinal aquele havia sido seu pior aniversário em quarenta anos de existência e aquilo não ficaria assim.
Como fazia muita questão da festa, ligou para os amigos, combinando tudo para o final de semana seguinte, queria o bolo e a puta, de qualquer jeito. Eles concordaram e arrumaram todo o esquema.
Então, no dia combinado, entrou em casa, acendeu as luzes e recebeu a saraivada de parabéns. A mulher saiu do bolo, exuberante e cantou "Happy Birthday". Tudo estava perfeito, se não fosse pelo fato do marido da vadia ter descoberto tudo e ido no apartamento do aniversariante acertar as contas. Chegou atirando, acertando dois tiros na traidora, que tombou ensanguentada sobre o bolo, inutilizando-o.
Foi todo mundo pra delegacia.
- Mas que porra, quem foi que contratou essa piranha? Foi você, Heraldo?
- Acho que foi o Valdo.
- Eu não! Foi o Borja!
- Fui eu, sim, mas que merda! Você resolveu arrumar outra festa de última hora, caralho! A gente já tinha feito a vaca para pagar a outra puta.
- E foi bem cara, viu, quarentão? Doeu no bolso, xará!
- Vocês sabiam da importância dos meus quarenta anos, seus amigos da onça!
- Como eu ia saber que a garota era casada? ela era de uma agência!
- Então vou processar essa agência! Que agência que é?
- Ah, é uma agência do meu primo, mas o cnpj é de um açougue.
- Só podia ser teu parente, né, Borja?
(silêncio)
ele continuou:
- E semana que vem, vou querer outra festa, com puta no bolo e tudo! E vejam lá se não vão fazer outra cagada, hein?
(silêncio)
Quando acendeu a luz, todo sorrisos e preparado para receber a saraivada de aplausos, foi surpreendido por policiais armados com fuzis apontados em sua direção. Perplexo, ao invés dos parabéns, ouviu apenas a voz de prisão:
"- Você está preso! Você tem o direito de ficar calado..."
Que confusão! havia entrado no apartamento errado! Só torcia para que seus amigos não desistissem da festinha surpresa e o esperassem um pouco mais. Ficara sabendo que haveria até bolo com mulher nua dentro! Ajoalhado no chão com as mãos na cabeça, chorava como uma criança. Estava inconsolável e os policiais sequer escutavam seus apelos.
De nada adiantaram suas súplicas, quando viu, estava dentro do camburão. Nem mesmo o porteiro, seu conhecido de anos, ousou sair em sua defesa.
- Por favor, seu Quirino, vai lá e avisa a galera que tô indo pra delegacia!
Dormiu uma noite no xadrez e foi liberado. Chegou a pensar que tudo fazia parte do esquema da festa surpresa, mas ao invés da prostituta do bolo, passou a noite numa cela com marginais da pior estirpe.
Só no dia seguinte, tudo foi resolvido e ele foi liberado. Decidiu processar o Estado por danos morais, afinal aquele havia sido seu pior aniversário em quarenta anos de existência e aquilo não ficaria assim.
Como fazia muita questão da festa, ligou para os amigos, combinando tudo para o final de semana seguinte, queria o bolo e a puta, de qualquer jeito. Eles concordaram e arrumaram todo o esquema.
Então, no dia combinado, entrou em casa, acendeu as luzes e recebeu a saraivada de parabéns. A mulher saiu do bolo, exuberante e cantou "Happy Birthday". Tudo estava perfeito, se não fosse pelo fato do marido da vadia ter descoberto tudo e ido no apartamento do aniversariante acertar as contas. Chegou atirando, acertando dois tiros na traidora, que tombou ensanguentada sobre o bolo, inutilizando-o.
Foi todo mundo pra delegacia.
- Mas que porra, quem foi que contratou essa piranha? Foi você, Heraldo?
- Acho que foi o Valdo.
- Eu não! Foi o Borja!
- Fui eu, sim, mas que merda! Você resolveu arrumar outra festa de última hora, caralho! A gente já tinha feito a vaca para pagar a outra puta.
- E foi bem cara, viu, quarentão? Doeu no bolso, xará!
- Vocês sabiam da importância dos meus quarenta anos, seus amigos da onça!
- Como eu ia saber que a garota era casada? ela era de uma agência!
- Então vou processar essa agência! Que agência que é?
- Ah, é uma agência do meu primo, mas o cnpj é de um açougue.
- Só podia ser teu parente, né, Borja?
(silêncio)
ele continuou:
- E semana que vem, vou querer outra festa, com puta no bolo e tudo! E vejam lá se não vão fazer outra cagada, hein?
(silêncio)
segunda-feira, 7 de abril de 2008
domingo, 6 de abril de 2008
Começando pelo fim
Mágoa
Vazio
- Até.
- Então até qualquer dia.
Decepção
Orgasmo unilateral
Expectativas frustradas
- Eu também
- Eu te amo.
Expectativas
Paixão
Atração Fatal
Esperança
Vazio
Mágoa
--
Não é que eu vá fazer igual, eu vou fazer pior. O Inimigo sou eu. Nem sempre se pode ser Deus. Amor é ódio separaram corações e mentes. Estou ficando louco de tanto AHAH UHUHU. A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão, ballet. Miséria é miséria em qualquer canto. Não é por não falar em felicidade, que eu não goste de felicidade. O pulso ainda pulsa...
(trechos roubados de letras dos Titãs)
=*=*=*=
Culpa da minha personalidade derrotista (Perde/Ganha). Seres humanos costumam ser óbvios.
Vazio
- Até.
- Então até qualquer dia.
Decepção
Orgasmo unilateral
Expectativas frustradas
- Eu também
- Eu te amo.
Expectativas
Paixão
Atração Fatal
Esperança
Vazio
Mágoa
--
Não é que eu vá fazer igual, eu vou fazer pior. O Inimigo sou eu. Nem sempre se pode ser Deus. Amor é ódio separaram corações e mentes. Estou ficando louco de tanto AHAH UHUHU. A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão, ballet. Miséria é miséria em qualquer canto. Não é por não falar em felicidade, que eu não goste de felicidade. O pulso ainda pulsa...
(trechos roubados de letras dos Titãs)
=*=*=*=
Culpa da minha personalidade derrotista (Perde/Ganha). Seres humanos costumam ser óbvios.
Docinho Maravilha
Nus, os amantes se olharam assustados ao perceberem o barulho da chave girando na fechadura. Lídia, a amante, o abraçou e tentou acalmá-lo:
- Por que está tão nervoso? Vamos ficar livres dela de uma vez por todas.
- Acho que nunca ficaremos juntos, Lídia. – respondeu Rodolfo, preocupado.
- Por quê? Acha que ela lhe perdoará depois do flagrante?
Rodolfo colocou as duas mãos na cabeça e com enorme sentimento de culpa, confessou:
- Ela nunca me perdoará. Não vai dar tempo, porque eu nunca mais fiz o Docinho Maravilha pra ela... entendeu?
- O quê? – espantou-se Lídia - Rodolfo, está me dizendo que...?
Neste instante, a esposa transtornada entrou bruscamente no quarto, segurando com ambas as mãos uma arma apontada para Rodolfo.
- Eu sabia, Rodolfo! Você tem uma amante!
Muito decepcionada, ela disparou dois tiros certeiros nele, que abriu os braços e fechou os olhos, como se a sua morte fosse anunciada.
Lídia soltou um grito de horror e, chorando muito, implorou que não lhe matasse também. Ajoelhou-se diante da viúva e pediu perdão. A mulher a empurrou para o chão com um chute no rosto e fez questão de passar por cima dela com o salto agulha, enquanto caminhava lentamente em direção ao criado-mudo. Pegou a bolsa da amante e despejou os pertences sobre a cama, sem desviar a arma de sua direção. Comovida, livrou-se rapidamente da pistola ao encontrar o que tanto queria e precisava...
- Ah, Rodolfo... eu sabia... é o Docinho Maravilha... você era o único que sabia fazer esse doce fabuloso. - falou, saboreando lentamente a deliciosa iguaria.
Lídia pegou a arma e apontou em direção à assassina:
- Largue esse doce, agora! Ou senão eu atiro! – disse, sem muita certeza da sua coragem.
A esposa gargalhou, repousou a cabeça sobre o peito ensangüentado do marido e continuou saboreando o doce. Parecia não se importar com a ameaça da patética rival.
- Atire, sua louca. Quero morrer ao lado do homem que tanto amei, comendo o último Docinho Maravilha que ele produziu.
Após engolir o último pedaço do doce, a mulher sentiu a boca seca e o ar lhe faltando.
Vomitou e agonizou até a morte.
Lídia, perplexa e com pena da viúva, concluiu que Rodolfo só conseguia fazer o Docinho Maravilha para quem amava e que o doce era letal se engolido por outra mulher. Era esse o segredo do sabor especial.
As lágrimas escorriam pela sua face e tudo que ela mais desejava agora era ter seu Rodolfo de volta. Fora preciso uma tragédia como aquela para que ela descobrisse que Rodolfo a amava de verdade, pois ele não era bom com as palavras, mas era um gênio na culinária e expressava seus sentimentos através de sua arte.
- Por que está tão nervoso? Vamos ficar livres dela de uma vez por todas.
- Acho que nunca ficaremos juntos, Lídia. – respondeu Rodolfo, preocupado.
- Por quê? Acha que ela lhe perdoará depois do flagrante?
Rodolfo colocou as duas mãos na cabeça e com enorme sentimento de culpa, confessou:
- Ela nunca me perdoará. Não vai dar tempo, porque eu nunca mais fiz o Docinho Maravilha pra ela... entendeu?
- O quê? – espantou-se Lídia - Rodolfo, está me dizendo que...?
Neste instante, a esposa transtornada entrou bruscamente no quarto, segurando com ambas as mãos uma arma apontada para Rodolfo.
- Eu sabia, Rodolfo! Você tem uma amante!
Muito decepcionada, ela disparou dois tiros certeiros nele, que abriu os braços e fechou os olhos, como se a sua morte fosse anunciada.
Lídia soltou um grito de horror e, chorando muito, implorou que não lhe matasse também. Ajoelhou-se diante da viúva e pediu perdão. A mulher a empurrou para o chão com um chute no rosto e fez questão de passar por cima dela com o salto agulha, enquanto caminhava lentamente em direção ao criado-mudo. Pegou a bolsa da amante e despejou os pertences sobre a cama, sem desviar a arma de sua direção. Comovida, livrou-se rapidamente da pistola ao encontrar o que tanto queria e precisava...
- Ah, Rodolfo... eu sabia... é o Docinho Maravilha... você era o único que sabia fazer esse doce fabuloso. - falou, saboreando lentamente a deliciosa iguaria.
Lídia pegou a arma e apontou em direção à assassina:
- Largue esse doce, agora! Ou senão eu atiro! – disse, sem muita certeza da sua coragem.
A esposa gargalhou, repousou a cabeça sobre o peito ensangüentado do marido e continuou saboreando o doce. Parecia não se importar com a ameaça da patética rival.
- Atire, sua louca. Quero morrer ao lado do homem que tanto amei, comendo o último Docinho Maravilha que ele produziu.
Após engolir o último pedaço do doce, a mulher sentiu a boca seca e o ar lhe faltando.
Vomitou e agonizou até a morte.
Lídia, perplexa e com pena da viúva, concluiu que Rodolfo só conseguia fazer o Docinho Maravilha para quem amava e que o doce era letal se engolido por outra mulher. Era esse o segredo do sabor especial.
As lágrimas escorriam pela sua face e tudo que ela mais desejava agora era ter seu Rodolfo de volta. Fora preciso uma tragédia como aquela para que ela descobrisse que Rodolfo a amava de verdade, pois ele não era bom com as palavras, mas era um gênio na culinária e expressava seus sentimentos através de sua arte.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
A Fuga
Luciano pegou a mochila com as chuteiras e uniforme esportivo e como fazia toda sexta-feira à noite, foi para o futebol. Joana já estava planejando aquela loucura há meses, pois não aguentava mais a sua vida de casada entediante, seu marido acomodado, o sofá, o cachorro bobo, as vizinhas pedantes, tudo estava uma porcaria e ela se sentia morta-viva aos trinta e dois anos. Foi então que resolveu fugir e cometer todas as loucuras que conseguisse, depois voltaria para casa, pediria o divórcio e pronto, estava livre. Era o plano perfeito, passou a semana toda desconcentrada no trabalho, ansiosa pela sexta-feira, já estava com a passagem de avião comprada, iria para outro estado, iria viajar de avião pela primeira vez e ficava nervosa com as notícias na televisão sobre o caos aéreo, nada poderia estragar seu plano tão bem traçado há vários meses. Achou melhor não arriscar, ao invés de ir pro aeroporto, foi para a rodoviária e tomou um ônibus para o litoral, iria passar o final de semana numa pousada na praia, melhor do que nada, afinal nunca havia feito nada parecido antes. Estava excitadíssima. Hospedou-se num hotel à beira-mar, tomou um banho, vestiu-se para conhecer a noite. Naquela época do ano, a praia não estava muito cheia, mas avistou algumas pessoas num barzinho e resolveu entrar. Pediu uma cerveja e uma porção de batatas-fritas e sentou-se numa mesa próxima a porta. Ficou lá por uma hora e meia e achou um pouco chato, não havia entrado nenhum homem interessante e os menos interessantes sequer reparavam que ela existia. "Puxa, será que sou invisível?" Paquerou o cantor da banda, afinal uma noite de sexo com um cantor de bar era uma boa fantasia. O rapaz não correspondeu. Irritou-se, pagou a conta e foi embora. Caminhou, viu lojas, comprou alguns biquínis, começou a paquerar todos os homens que via, até mesmo os adolescentes. Estava desesperada, não queria passar a noite sozinha, senão não teria valido a pena ter fugido. talvez estivesse afoita demais, precisava se acalmar.
A Fuga - Parte II
Ficou perambulando pelo centro da praia até 4h e voltou para o hotel, estava chateada, queria uma comapanhia. Pegou o celular na bolsa, já meio arrependida do que fizera, o marido certamente já havia ligado mais de dez vezes atrás dela. Para sua surpresa, não havia nenhuma mensagem no celular. "Será que aconteceu alguma coisa com o Lu?" Não podia voltar atrás, demorou a ter coragem de fugir e agora que estava longe de casa não podia ter sentimentos de culpa. Desligou o celular e o guardou na bolsa. Por dois dias não iria precisar dele. No dia seguinte, acordou cedo, colocou o biquíni e foi pra beira da praia. "Ahhh... sensação de liberdade e inependência! Isso sim é que é bom... Ahhh, a quem eu quero enganar? Esse vento frio está congelante, a praia está vazia, o mar está sujo e não tem absolutamente nada pra fazer aqui!" Voltou para o hotel, ligou o celular. Nenhuma chamada. Ligou para o marido. "Celular desligado ou fora de área? Mas que bosta!" Irritadíssima e decepcionada diante do seu fracasso como mulher livre, arrumou as malas chorando e foi pra rodoviária. Voltaria pra casa e inventaria alguma desculpa para Luciano, mas tinha que ser uma desculpa convicente. "Eu acho que estou louca, é o stress". Ele entenderia. Chegou em casa, era sábado á tarde. Não encontrou o marido. Deu uma verificada, a casa estava do mesmo jeito que havia deixado quando saiu. Se desesperou, ligou milhares de vezes para Luciano, o celular dele sempre desligado. Não dormiu, esperou por ele a noite toda. Domingo a mesma coisa. Passou o pior final de semana da sua vida.
A Fuga - Final
Finalmente, um pouco antes de terminar o Fantástico, Luciano chega em casa com o uniforme de futebol todo sujo, a mochila nas costas. Ela não acredita. Ele a olha com expressão de culpa, não consegue encará-la. Ela grita, pergunta o que aconteceu, onde ele estava, ele senta no sofá com e coloca as mãos na cabeça e desaba num choro compulsivo.
- Me perdoa, Joana, não sei o que me deu, eu estava no futebol e os caras convidaram pra ir a praia, sabe... na hora eu recusei, mas depois deu uma coisa... uma vontade de sumir, de fazer uma coisa diferente! Eu fui, me perdoa, eu fui... Joana, se não quiser me perdoar, vou entender!
Joana estava incrédula. Ficou imaginando tudo que ele fez na praia com os amigos. Era isso! Ela havia se ferrado porque foi sozinha, se tivesse ido de turma, tudo seria diferente.
- Eu... vou pensar... me dê algum tempo.
- Tá bem, todo tempo do mundo. Eu te amo, olha, eu te amo.
- tá... eu... preciso dormir um pouco.
.FIM.
- Me perdoa, Joana, não sei o que me deu, eu estava no futebol e os caras convidaram pra ir a praia, sabe... na hora eu recusei, mas depois deu uma coisa... uma vontade de sumir, de fazer uma coisa diferente! Eu fui, me perdoa, eu fui... Joana, se não quiser me perdoar, vou entender!
Joana estava incrédula. Ficou imaginando tudo que ele fez na praia com os amigos. Era isso! Ela havia se ferrado porque foi sozinha, se tivesse ido de turma, tudo seria diferente.
- Eu... vou pensar... me dê algum tempo.
- Tá bem, todo tempo do mundo. Eu te amo, olha, eu te amo.
- tá... eu... preciso dormir um pouco.
.FIM.
A Eddie, com amor. K.
fé-cafécafécafécafécafécafécafé-ca
Cafezinho bom, eu tomava em 1920, com o Coronel Silveira Machado. É que dentro da xicra de cafezinho, O Conéu jogava uma péola. Sempre jogava uma péola e dizia que eu era uma Flôzinha.
Um dia, foi ter com o meu paizinho pra casar mais eu com o filho dele, um mocinho mais timo que eu e que até cruzava as perna, nunca vi aquilo antes, um moço de barba cruzando a perna.
Queria meso era casá com o Conéu, não pelas péola, é que eu gostava de chêro de café na barba dele. Gostava do chapéu dele, das bota dele, dozolho dele. Mas casei meso com o rapazola que era por dimais cheroso. cherava a tudo, menos café.
Eu, então, novinha, novinha, não sabia nada na núpcia. O moço também não sabia nada, aí nós dormiu. Sonhei com o Conéu e acordei suada, com vontade de tomá café. Parece que adivinhô meu sonho, tava ele na cozinha fazendo café pra mim. Me deu a xicra, o café, a péola e o bejo. E a inauguração da Flô aconteceu ali meso em cima da mesa de madera. Diliça o chêro da mesa, o chêro do meu Conéu e o jeito que ele me tomava como se eu fosse café.
Gravidei di primera e todo mundo acreditô que era do "Jeitoso". Mas era cria do meu Conéu. E era tinhoso o moleque, era lindo... e tinha cheiro de café.
Gravidei de novo, dessa vez de uma Flôzinha.
Depois gravidei mais uma vez, de uma Péolazinha.
E ainda quero pari de novo, tê mais fio do Conéu, que anda acabrunhado porque o café tá acabando nas fazenda... e o jeito agora era criar boi.
Mas a cabrunha dele termina quando nós se encontramo escondido na cozinha e tomamo café.
Não tem mais péola já faz tempo, mas não tem importância, já montei um colázinho.
Quantas letras tem o seu nome?
Sabem uma velha e uma criança mais do que eu, que não sei meu nome.
E se assim, os registros mentem,
quem sou eu para ele que não sabe meu nome?
O meu nome tem sete letras vezes sete significados diferentes para cada letra.
O meu nome tem sete espaços vazios vezes sete significados diferentes para cada espaço vazio.
O meu nome tem sete vezes o nome dele grafado por cima do meu.
Mas ele não sabe.
Nem a velha e a criança sabem.
E se assim, os registros mentem,
quem sou eu para ele que não sabe meu nome?
O meu nome tem sete letras vezes sete significados diferentes para cada letra.
O meu nome tem sete espaços vazios vezes sete significados diferentes para cada espaço vazio.
O meu nome tem sete vezes o nome dele grafado por cima do meu.
Mas ele não sabe.
Nem a velha e a criança sabem.
O naziusmo mostrou a língua para mim
- Oi, senhor Nauzista
- Peraí, eu não sou nauzista.
- É sim.
- Por que acha isso?
- Simples, olhe para seu lado: três pessoas aí fora. E aqui dentro, eu e mais quinhentas esperando virar cinza.
- Não, não é bem assim... é nós quatro pensamos muito parecido. Não temos culpa se vocês pensam tão diferente. E para provar que não sou nauzista, vou aí dentro salvar duas pessoas.
(...)
- Viu? são eles que não quiseram ser salvos. Não sou nauzista.
- Salvos de quê?
- De si mesmos.
- E por que ao lado de vocês, eles estariam a salvo de si mesmos?
- Porque somos melhores! pronto, falei.
- Melhores em quê?
- Somos tudo que vocês queriam ser e não conseguem.
- Não seria o contrário?
- Acendam logo a fornalha!
--
Acreditam que o blog não aceita a palavra NALSISMO? rs.
- Peraí, eu não sou nauzista.
- É sim.
- Por que acha isso?
- Simples, olhe para seu lado: três pessoas aí fora. E aqui dentro, eu e mais quinhentas esperando virar cinza.
- Não, não é bem assim... é nós quatro pensamos muito parecido. Não temos culpa se vocês pensam tão diferente. E para provar que não sou nauzista, vou aí dentro salvar duas pessoas.
(...)
- Viu? são eles que não quiseram ser salvos. Não sou nauzista.
- Salvos de quê?
- De si mesmos.
- E por que ao lado de vocês, eles estariam a salvo de si mesmos?
- Porque somos melhores! pronto, falei.
- Melhores em quê?
- Somos tudo que vocês queriam ser e não conseguem.
- Não seria o contrário?
- Acendam logo a fornalha!
--
Acreditam que o blog não aceita a palavra NALSISMO? rs.
Quem mandou? quem mandou? bem-feito.
- Ei, você aí!
- Não tenho dinheiro aqui...
- Não é isso, te achei bonita.
- Bonita como?- Bonita, ué.
- Bonita que nem a Grace Kelly?
- Não, bonita que nem... que nem a... você não parece com ninguém famoso não, mas é bonita.
- De onde você saiu?
- Como assim?
- De onde você saiu pra me achar bonita?
- Sei lá, eu realmente te achei bonita. Só isso.
- Bonita de querer conhecer? desse jeito?
- Não, não... bonita de olhar e dizer: Você é bonita.
- Não quer me conhecer?
- Não...rs.
- Por quê?
- Olha, gata, pára de me seguir, eu estou ficando com medo de você.
- Por quê?
- Olha, você é bonitinha, mas eu vou pegar o ônibus. Tchau, hein? prazer...
- Ei, volta aqui. Eu ainda não dei meu parecer sobre sua aparência! EI! Ei! Puxa, quase que não consigo te alcançar, cara!
- Ei, garota, eu não quero falar com você, larga meu braço, faz o favor?
- Mas você disse que eu sou bonita...
- Eu estou começando a mudar de opinião.
- Por quê?
- Eu vou avisar o motorista que você está me assediando.
- Eu? eu não estou te assediando.
- Eu vou descer nesse ponto, com licença.
- Ei, espera aí, vou descer também.
- Você está bem? precisa de alguma coisa? Olha, me deixa em paz... por favor, sou pai de família, essas coisas.
- Tudo bem, vamos lá conhecer sua família.
- Não!
- Por quê?
- Porque eu não te conheço!
- Como não? você me acha bonita e estamos há duas horas conversando...
- Caramba, onde fui me meter? Larga minha mão, por favor.
- Ei, eu posso dizer o que acho de você?
- Se for pra você cair fora, pode.
- Eu te acho bonitinho. rs.
- Obrigado.
- De nada.
- Deixa eu ir sozinho, agora?
- Já? Tava gostando desse papo.
- Eu preciso ir no banheiro! vou ver se nessa lojinha tem um, tá?
- Tá, eu espero aqui.
(...)
- Demorou, hein?
- Não acredito que você ainda está aqui!
- Eu disse que iria esperar.
- Você é maluca!
- E bonita, né?
- Onde você mora?
- Na sua casa.
- Tô falando sério...
- Eu também!
O que existe sob o endredon

indiferente a filmes e fotos
a línguas e dedos
a paus e vaginas:
frígida.
inapetente a
frutas e flores
chás e cafés
legumes e carnes:
fria.
da música francesa
dos contos de Sade
do cine de Bertolucci:
distância.
dos bares pernambucanos
das praias catarinenses
dos cassinos urugaios:
desdém.
Este tesão perdido explodiu um planeta. A nova rainha de gelo agitou os cabelos em cima do túmulo.
Nevou no cemitério.
Gilquinha e a ação contra o INSS
Sair de casa para resolver assuntos do INSS, era uma amolação para Gilquinha. Reclamona que só, para coisas responsabilidosas, bateu várias vezes a porta do guarda-roupa atrás de blusa fresca e sapato confortável.
Chegou no edifício imponente, botou o óculos e leu no papel, que a sala do advogado ficava no décimo oitavo andar. Indicado por uma amiga, Gilquinha gostou da descrição do Doutor Flávio Dídimo: um senhor de oitenta e dois anos, lúcido, professor e advogado ocupadíssimo. Ele só iria atendê-la por consideração à Lourdes.
Gilquinha entrou no elevador, apertou no botão, mas em seguida o caixote parou para pegar um rapazinho muito simpático, que deveria ter no máximo cinquenta e cinco anos. Apesar de não gostar de jovenzinhos, o galã do elevador a deixou louca de tesão.
A atração entre os dois foi fatal e em menos de cinco minutos, Gilquinha e o "pão" estavam atracados no escritório dele, fazendo griteiro sexual em cima do tampo de vidro da mesa. Ela até deixou que ele ligasse a filmadora debaixo da mesa. "Coisa excitiva se ver depois na televisão"
- Ui, isso foi bom meu guri, mas eu tô atrasada para uma consulta com o meu adevogado.
- Qual é o seu nome? pega o meu cartão, me liga a hora que tu quiser! - implorava, beijando as mãos cheirosas da melhor amante que já tivera na vida.
- Tá bom, meu anjo! Preciso ir. - disse Gilquinha puxando a mão, sem paciência e limpando na saia.
- Qual é o seu nome? pega o meu cartão, me liga a hora que tu quiser! - implorava, beijando as mãos cheirosas da melhor amante que já tivera na vida.
- Tá bom, meu anjo! Preciso ir. - disse Gilquinha puxando a mão, sem paciência e limpando na saia.
Sem dar muita importância para o cartão, ela saiu apressada, sem calçolinha mesmo. "Aquele menino tinhoso só pode ter escondido no bolso"
Era sempre assim que ela perdia as calçolinhas, mas . calçola é coisa barata, ainda bem.
Adentrou, descomposta, na sala do Doutor Dídimo e pediu desculpas pelo atraso.
- Aceita um cafezinho? Lourdes me falou muito de ti. Quer dizer, da senhora...
- Pode me chamar de tu, doutor. E aceito o café, sim - "para tirar o gosto do outro da minha boca".
- Pode me chamar de tu, doutor. E aceito o café, sim - "para tirar o gosto do outro da minha boca".
A atração entre os dois foi fatal e na metade da consulta, Gilquinha e o Adevogado estavam atracados, fazendo sexo em cima do tampo de vidro da mesa.
"Ai, que amolação. Esqueci de pegar a minha fita lá na sala do Guri!" - pensou ela, desgostosa com a performance do adevogado garanhão.
Justo ele que parecia tão macho! Só adevogar do jeito que trepa, Gilquinha já dava como perdida a ação movida contra a previdência.
E o homem ainda se apaixonou, não faltava mais nada. "Ainda mato a Lourdes".
Teatro do deserto
O Cacto, muito sagaz na arte da representação artística, achava que a jovem Pedra não percebia que ao abraçá-la, na verdade, desejava sangrá-la.
Ao sangrá-la, sofria. Ao sofrer chorava.
A Pedra, sagaz na arte da representação artística, achava que o Cacto velho e espinhento não percebia que ao abraçá-lo, na verdade desejava lhe roubar pequenas gotas de água.
Ao murchá-lo, sorria. Ao sorrir, mais endurecia.
Ao sangrá-la, sofria. Ao sofrer chorava.
A Pedra, sagaz na arte da representação artística, achava que o Cacto velho e espinhento não percebia que ao abraçá-lo, na verdade desejava lhe roubar pequenas gotas de água.
Ao murchá-lo, sorria. Ao sorrir, mais endurecia.
Assinar:
Comentários (Atom)


