Cantiga de mim
o seresteiro
belo feito
céu de fevereiro,
limpo, infinito, estrelado
sob o manto da lua,
disfarçado,
um coração requestado
canta de mim
no beijo
plantado na cova
do queixo
há música,
sim
em escala musical
desordenada,
o antes e o depois
em poesia desenhada
no cancioneiro
de nós dois
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Meu dinheiro sur(real)
I. O colibri desvalorizado
===========================
II. A garça abatida na nota de 5
As botas brancas de plástico, arrastam pelo pescoço longo, uma ave fleumática em direção à câmara gelada. Cisnes perplexos assistem a tudo do alto dos arranha-céus envidraçados.
“Adeus, Biguá... partirei para nunca mais”
Sim, caros cisnes... a vida das garças não é nenhum conto-de-fadas.
As botas plásticas retornam solitárias, tingidas de vermelho, forradas com penas brancas. Cumprida a missão, são rapidamente substituídas por chuteiras, pois a seleção canarinho continua sendo esperança de alegria para milhões de brasileiros, obrigados a abater uma garça por dia no restaurante a quilo.
Dez garças analgésico-dançarinas fabricam sorrisos nas mãos calejadas e aliviam pequenas dores de cabeça.
===========================
III. A história da Arará
Ações corriqueiras:
O cliente se dirige ao terminal bancário, costura as informações solicitadas e imediatamente, o terminal lhe entrega uma pequena lata. O cliente abre o lacre, retirando do interior da lata um saquinho de juta com a quantidade de moedas de ouro desejadas.
“Este terminal agradece sua preferência” – dizia a máquina. Sempre foi assim até que...
O Caos estabelecido:
Sobrecarga no sistema! As linhas do tele-atendimento estão interditadas porque nesta madrugada, uma Arará fez seu ninho dentro de um terminal eletrônico, provocando pânico dentro do shopping center.
O terminal automático, (sempre tão simpático), estava engasgado e não cuspia mais as moedas de ouro. De sua boca fina e retangular, escapava uma revoada de aves alegres, que buscavam abrigo nos bolsos dos clientes estupefatos.
Em nota exclusiva, o presidente da Casa Económica afirmou possuir uma licença do Instituto Nacional do Meio Ambiente (INAMA) para trocar ouro por Arará dentro do território nacional e advertiu: criar este animal em cativeiro constitui crime ambiental passível de prisão. “Façam suas notas circularem livremente pelo comércio e não esqueçam: uma ararinha sozinha não faz verão” – disse em tom otimista, cometendo uma gafe contra as andorinhas.
E foi assim que tudo aconteceu. É por isso que, sempre que alguém solicita 50 (sur)reais ao terminal bancário, recebe 5 Ararás, fáceis e rápidas de gastar.
Cuidado com a falsificação: Ararás verdadeiras não falam palavrão.
===
IV. Micos que pagam pequenos sonhos dourados
O mico-dourado, "existido" da costela de leão, é Deus das suas próprias idéias raras e luminosas, tão raras que estão ameaçadas de extinção.
De tanto pagarem o mico, a divindade enriqueceu e anualmente, se esbalda em bailes de máscaras venezianos. O luxo do carnaval italiano é para poucos: raros prismáticos, brilhantes primatas que pagam pequenos sonhos dourados da parcela mais humilde da população em troca de votos.
A brincadeirinha inocente com a costela do rei, havia ido longe demais. A extinção é a maneira que o Criador encontrou de destruir seus pequenos caprichos, mas apenas aqueles que ousam brilhar mais do Ele.
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II. A garça abatida na nota de 5
As botas brancas de plástico, arrastam pelo pescoço longo, uma ave fleumática em direção à câmara gelada. Cisnes perplexos assistem a tudo do alto dos arranha-céus envidraçados.
“Adeus, Biguá... partirei para nunca mais”
Sim, caros cisnes... a vida das garças não é nenhum conto-de-fadas.
As botas plásticas retornam solitárias, tingidas de vermelho, forradas com penas brancas. Cumprida a missão, são rapidamente substituídas por chuteiras, pois a seleção canarinho continua sendo esperança de alegria para milhões de brasileiros, obrigados a abater uma garça por dia no restaurante a quilo.
Dez garças analgésico-dançarinas fabricam sorrisos nas mãos calejadas e aliviam pequenas dores de cabeça.
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III. A história da Arará
Ações corriqueiras:
O cliente se dirige ao terminal bancário, costura as informações solicitadas e imediatamente, o terminal lhe entrega uma pequena lata. O cliente abre o lacre, retirando do interior da lata um saquinho de juta com a quantidade de moedas de ouro desejadas.
“Este terminal agradece sua preferência” – dizia a máquina. Sempre foi assim até que...
O Caos estabelecido:
Sobrecarga no sistema! As linhas do tele-atendimento estão interditadas porque nesta madrugada, uma Arará fez seu ninho dentro de um terminal eletrônico, provocando pânico dentro do shopping center.
O terminal automático, (sempre tão simpático), estava engasgado e não cuspia mais as moedas de ouro. De sua boca fina e retangular, escapava uma revoada de aves alegres, que buscavam abrigo nos bolsos dos clientes estupefatos.
Em nota exclusiva, o presidente da Casa Económica afirmou possuir uma licença do Instituto Nacional do Meio Ambiente (INAMA) para trocar ouro por Arará dentro do território nacional e advertiu: criar este animal em cativeiro constitui crime ambiental passível de prisão. “Façam suas notas circularem livremente pelo comércio e não esqueçam: uma ararinha sozinha não faz verão” – disse em tom otimista, cometendo uma gafe contra as andorinhas.
E foi assim que tudo aconteceu. É por isso que, sempre que alguém solicita 50 (sur)reais ao terminal bancário, recebe 5 Ararás, fáceis e rápidas de gastar.
Cuidado com a falsificação: Ararás verdadeiras não falam palavrão.
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IV. Micos que pagam pequenos sonhos dourados
O mico-dourado, "existido" da costela de leão, é Deus das suas próprias idéias raras e luminosas, tão raras que estão ameaçadas de extinção.
De tanto pagarem o mico, a divindade enriqueceu e anualmente, se esbalda em bailes de máscaras venezianos. O luxo do carnaval italiano é para poucos: raros prismáticos, brilhantes primatas que pagam pequenos sonhos dourados da parcela mais humilde da população em troca de votos.
A brincadeirinha inocente com a costela do rei, havia ido longe demais. A extinção é a maneira que o Criador encontrou de destruir seus pequenos caprichos, mas apenas aqueles que ousam brilhar mais do Ele.
A pane na máquina funcional
A função
do automóvel:
atropelar;
da epidemia:
dizimar;
da lâmina:
decepar;
do projétil:
ferir;
do concreto:
ruir;
do Homem:
mentir;
do ciclone
é varrer o chão
da madeira
é virar caixão
da gilete:
cortar a veia
e da pá:
enterrar na areia
do fogo, o
incêndio
da mágoa:
o vilipêndio
(... chega)
anjos interrompidos
afogados em óleo lubrificante
imploram por uma
solução funcional
óbvia e urgente:
Deus
Ex machina
do automóvel:
atropelar;
da epidemia:
dizimar;
da lâmina:
decepar;
do projétil:
ferir;
do concreto:
ruir;
do Homem:
mentir;
do ciclone
é varrer o chão
da madeira
é virar caixão
da gilete:
cortar a veia
e da pá:
enterrar na areia
do fogo, o
incêndio
da mágoa:
o vilipêndio
(... chega)
anjos interrompidos
afogados em óleo lubrificante
imploram por uma
solução funcional
óbvia e urgente:
Deus
Ex machina
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Colibri desvalorizado
I Colibri desvalorizado
Os homens de branco vieram e prenderam o beija-flor na camisa-de-força. Ele caiu sedado e dormiu entre as paredes verdes do meu bebed'ouro de jardim.
No sonho demente, viu pétalas coloridas em espectro ultravioleta, orvalhadas e açucaradas lambendo-lhe com exagerado erotismo. Copulou em cápsulas.
Acordou com feridas na boca, asa empolada, trauma no bico e imuno-deprimido,
o beija-flor não resistiu.
Sua mente aprisionada, impedida de voar, provou o gosto amargo do néctar da morte, na nota suja de hum real.
O Colibri é trôco que não pára dentro da carteira.
Os homens de branco vieram e prenderam o beija-flor na camisa-de-força. Ele caiu sedado e dormiu entre as paredes verdes do meu bebed'ouro de jardim.
No sonho demente, viu pétalas coloridas em espectro ultravioleta, orvalhadas e açucaradas lambendo-lhe com exagerado erotismo. Copulou em cápsulas.
Acordou com feridas na boca, asa empolada, trauma no bico e imuno-deprimido,
o beija-flor não resistiu.
Sua mente aprisionada, impedida de voar, provou o gosto amargo do néctar da morte, na nota suja de hum real.
O Colibri é trôco que não pára dentro da carteira.
sábado, 24 de maio de 2008
A Feira dos Livos Bêbados
De quando "O Escritorzinho de Bosta" foi convidado para ser Patrono da I Feira do Livro Bêbado da pequena cidadezinha interiorana de Pernas de Cá.
Todos aguardavam ansiosos pelo "Bosta", que iria abrir a Feria do livro declamando um dos seus desconhecidos poemas. Preocupada com a demora, a intrépida organizadora do evento cultural foi até o hotel onde "O Bosta" estava hospedado e o encontrou nu e bêbado, desmaiado na cama ao lado de mulher esculachada.
"Minha Nossa... ela nem depilou as pernas antes de dar..."
"Intrépida" arrastou-o até o banheiro e o acordou com beijos de língua, chupadas vigorosas e masturbações no pau. Excitado, o Patrono a colocou de quatro e a penetrou violentamente, depositando em suas entranhas quase-virginais, toda sua bagagem esporro-literária.
- Ohh, que delícia, Patrono! Mas precisamos ir, meu filho! Há uma cidade toda esperando por você, Escritorzinho!
- Eu sou o Bosta! O Patrono que devora seu livrinho (ic) sua vadia int... intr...répiada! Imbecil.
- Credo, você está muito bêbado... mas vamos assim, mesmo. "Aposto como ele nem reparou que sou toda depiladinha, um pitéu"
Chegando lá, o Escritorzinho de Bosta fez o que tinha que se feito e foi aplaudido por todos.
O prefeito, comovido, deu por esgaçada, rasgada e violentada, a I Feira do Livro Bêbado da pequena cidadezinha interiorana de Pernas de Cá.
"Intrépida" tomou o microfone das mãos do prefeito, antes que "O Bosta" desmaiasse em cima do púlpito:
- Violentem os livros e se deixem violentar por eles! Boa Feira a todos!
Em seguida, ela levou "O Escritorzinho" para seu apê e eles fizeram sexo por três feiras do livro consecutivas. Nem dava tempo de depilar as pernas... "huhuhu que homem"
Todos aguardavam ansiosos pelo "Bosta", que iria abrir a Feria do livro declamando um dos seus desconhecidos poemas. Preocupada com a demora, a intrépida organizadora do evento cultural foi até o hotel onde "O Bosta" estava hospedado e o encontrou nu e bêbado, desmaiado na cama ao lado de mulher esculachada.
"Minha Nossa... ela nem depilou as pernas antes de dar..."
"Intrépida" arrastou-o até o banheiro e o acordou com beijos de língua, chupadas vigorosas e masturbações no pau. Excitado, o Patrono a colocou de quatro e a penetrou violentamente, depositando em suas entranhas quase-virginais, toda sua bagagem esporro-literária.
- Ohh, que delícia, Patrono! Mas precisamos ir, meu filho! Há uma cidade toda esperando por você, Escritorzinho!
- Eu sou o Bosta! O Patrono que devora seu livrinho (ic) sua vadia int... intr...répiada! Imbecil.
- Credo, você está muito bêbado... mas vamos assim, mesmo. "Aposto como ele nem reparou que sou toda depiladinha, um pitéu"
Chegando lá, o Escritorzinho de Bosta fez o que tinha que se feito e foi aplaudido por todos.
O prefeito, comovido, deu por esgaçada, rasgada e violentada, a I Feira do Livro Bêbado da pequena cidadezinha interiorana de Pernas de Cá.
"Intrépida" tomou o microfone das mãos do prefeito, antes que "O Bosta" desmaiasse em cima do púlpito:
- Violentem os livros e se deixem violentar por eles! Boa Feira a todos!
Em seguida, ela levou "O Escritorzinho" para seu apê e eles fizeram sexo por três feiras do livro consecutivas. Nem dava tempo de depilar as pernas... "huhuhu que homem"
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