Gilquinha andava sumida. A pressão nas alturas, seguidos malestares súbitos nos elevadores e uma tristeza muito grande por conta da morte da sua melhor amiga Alvina de oitenta e um anos, vítima de overdose dentro de um cruzeiro universitário. Alvina tinha um corpão, mas não tinha cérbo. Pena.
Quanta encheção essa coisa ruim que queria explodir dentro dela. "Menopausa de novo, doutor?" a primeira nem incomodou.
Justo José não parava de ligar querendo sair com ela.
-- Mas Jota-Jota, eu tô com menopausa!
-- Não fala assim, que eu fico louco! aposto como você tá com o dobro de fogo!
-- Mas não pra essas coisas da tua cabeça, homem! não paga a pena tu vir de avião dessa distância, espera até eu melhorar. Tchau! - que irritação, cruzes... parece coisa de velha ranzinza, nem parecia Gilquinha.
A tragédia se deu no dia que o aparelho de ar-condicionado pifou. Quanto mais chorava, mais calor sentia e sua pressão quase passou dos catorze por nove.
-- Alô, Jussara? liga para o eletricista, mas não me manda criança, não! Eles só fazem cagada.
Antônio demorou, mas veio. Não parecia muito experiente, mas de certo, era o empregado mais velho que a Jussara conseguiu arrumar. Aparentava uns cinquenta, no máximo.
-- Sr. Antônio, arruma depressa, que tô passando ruim de tanto calorão.
-- É rapidinho, Dona Gilquinha. - ué, sabia até o nome.
Coisa louca, de repente começou a tremer todinha. Ia morrer!
-- Dona Gilquinha?? A senhora está bem?
-- Frio! Frio! Ai, Antônio, vou morrer!
-- Vou pegar um cobertor pra senhora!
-- Ajuda a me levar pro quarto, Antônio.
Ele obedeceu e só saiu de lá no outro dia. Gilquinha melhorou depois da visita de Antônio e ainda garantiu um eletricista de confiança pro resto da vida. Com pesar, lembrou da Alvina, que tinha corpão, mas não tinha cérbo. Coitada.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Cueca Nova
Sentiu medo da novidade, de repente cueca nova!
-- Não gostou?
Ela precisava pensar com calma na resposta certa, afinal, era insegura e muito nervosa.
- É nova.
Sim, ela percebeu que a cueca era mais branca que o lençol, mas o que havia de errado com as outras cuecas? Com que propósito depois de tantos anos de convivência ele faz uma coisa dessas? Ela o conhecia como a palma da sua mão e... espere, ela reconheceria a palma da sua mão no meio de centenas de fotos de outras palmas? Acho que não.
-- Não gostou? é nova.
Que martírio, por que precisava passar por aquilo? Não estava mais suportando o silêncio, queria gritar o que estava sentindo, precisava saber o que aquela cueca nova representava para ele. Estava prestes a ter um colapso.
-- Por que comprou cueca nova?
-- Ganhei da mamãe.
-- Por um acaso ela acha que você não tem cueca em casa?
-- Não é isso, ela quis me dar um presentinho, apenas. Não gostou?
-- É nova. Sua mãe sempre com segundas intenções, pois saiba que suas antigas cuecas são mais limpas do que os talheres com que sua mãe enfeita a mesa do jantar!
-- Querida, eu sei... não leve tudo tão a sério, é apenas uma cueca nova.
-- É apenas a sua mãe, como sempre!
-- Pronto, se o problema é a mamãe, então eu tiro a cueca. Não precisa chorar!
-- Agora você deve estar pensando que sua mãe tem razão quando me acusa de ser uma louca. Quanto drama por causa de uma cueca que tem seu número de solteiro, não é mesmo?
-- Eu não estou pensando em nada. Estou sem cueca.
-- Eu gostaria que você vestisse uma cueca conhecida e que me acalmasse dizendo que não está pensando em divórcio ou coisa parecida.
-- Eu não estou pensando em nada! e pronto, já vesti a cueca velha!
-- Não fale assim da cueca que vive com você há anos, que o protege, que o compreende! Você sempre volta estranho lá da casa da sua mãe!
-- Se é para sua felicidade, não irei mais à casa de mamãe, amor. Vamos dormir, agora?
Ele se acha muito esperto, mas ela viu muito bem quando ele escondeu a cueca nova embaixo do travesseiro.
-- Não gostou?
Ela precisava pensar com calma na resposta certa, afinal, era insegura e muito nervosa.
- É nova.
Sim, ela percebeu que a cueca era mais branca que o lençol, mas o que havia de errado com as outras cuecas? Com que propósito depois de tantos anos de convivência ele faz uma coisa dessas? Ela o conhecia como a palma da sua mão e... espere, ela reconheceria a palma da sua mão no meio de centenas de fotos de outras palmas? Acho que não.
-- Não gostou? é nova.
Que martírio, por que precisava passar por aquilo? Não estava mais suportando o silêncio, queria gritar o que estava sentindo, precisava saber o que aquela cueca nova representava para ele. Estava prestes a ter um colapso.
-- Por que comprou cueca nova?
-- Ganhei da mamãe.
-- Por um acaso ela acha que você não tem cueca em casa?
-- Não é isso, ela quis me dar um presentinho, apenas. Não gostou?
-- É nova. Sua mãe sempre com segundas intenções, pois saiba que suas antigas cuecas são mais limpas do que os talheres com que sua mãe enfeita a mesa do jantar!
-- Querida, eu sei... não leve tudo tão a sério, é apenas uma cueca nova.
-- É apenas a sua mãe, como sempre!
-- Pronto, se o problema é a mamãe, então eu tiro a cueca. Não precisa chorar!
-- Agora você deve estar pensando que sua mãe tem razão quando me acusa de ser uma louca. Quanto drama por causa de uma cueca que tem seu número de solteiro, não é mesmo?
-- Eu não estou pensando em nada. Estou sem cueca.
-- Eu gostaria que você vestisse uma cueca conhecida e que me acalmasse dizendo que não está pensando em divórcio ou coisa parecida.
-- Eu não estou pensando em nada! e pronto, já vesti a cueca velha!
-- Não fale assim da cueca que vive com você há anos, que o protege, que o compreende! Você sempre volta estranho lá da casa da sua mãe!
-- Se é para sua felicidade, não irei mais à casa de mamãe, amor. Vamos dormir, agora?
Ele se acha muito esperto, mas ela viu muito bem quando ele escondeu a cueca nova embaixo do travesseiro.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
A linha imaginária
Os restos dos teus cabelos estão embaixo da minha cama. Agora você usa uma franja estratégica? Admiro sua coragem... eu sigo repartida ao meio.
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