No dia do seu aniversário, chegou em casa e notou as luzes apagadas. Sorriu, imaginando se tratar de uma festinha surpresa organizada pelos amigos.
Quando acendeu a luz, todo sorrisos e preparado para receber a saraivada de aplausos, foi surpreendido por policiais armados com fuzis apontados em sua direção. Perplexo, ao invés dos parabéns, ouviu apenas a voz de prisão:
"- Você está preso! Você tem o direito de ficar calado..."
Que confusão! havia entrado no apartamento errado! Só torcia para que seus amigos não desistissem da festinha surpresa e o esperassem um pouco mais. Ficara sabendo que haveria até bolo com mulher nua dentro! Ajoalhado no chão com as mãos na cabeça, chorava como uma criança. Estava inconsolável e os policiais sequer escutavam seus apelos.
De nada adiantaram suas súplicas, quando viu, estava dentro do camburão. Nem mesmo o porteiro, seu conhecido de anos, ousou sair em sua defesa.
- Por favor, seu Quirino, vai lá e avisa a galera que tô indo pra delegacia!
Dormiu uma noite no xadrez e foi liberado. Chegou a pensar que tudo fazia parte do esquema da festa surpresa, mas ao invés da prostituta do bolo, passou a noite numa cela com marginais da pior estirpe.
Só no dia seguinte, tudo foi resolvido e ele foi liberado. Decidiu processar o Estado por danos morais, afinal aquele havia sido seu pior aniversário em quarenta anos de existência e aquilo não ficaria assim.
Como fazia muita questão da festa, ligou para os amigos, combinando tudo para o final de semana seguinte, queria o bolo e a puta, de qualquer jeito. Eles concordaram e arrumaram todo o esquema.
Então, no dia combinado, entrou em casa, acendeu as luzes e recebeu a saraivada de parabéns. A mulher saiu do bolo, exuberante e cantou "Happy Birthday". Tudo estava perfeito, se não fosse pelo fato do marido da vadia ter descoberto tudo e ido no apartamento do aniversariante acertar as contas. Chegou atirando, acertando dois tiros na traidora, que tombou ensanguentada sobre o bolo, inutilizando-o.
Foi todo mundo pra delegacia.
- Mas que porra, quem foi que contratou essa piranha? Foi você, Heraldo?
- Acho que foi o Valdo.
- Eu não! Foi o Borja!
- Fui eu, sim, mas que merda! Você resolveu arrumar outra festa de última hora, caralho! A gente já tinha feito a vaca para pagar a outra puta.
- E foi bem cara, viu, quarentão? Doeu no bolso, xará!
- Vocês sabiam da importância dos meus quarenta anos, seus amigos da onça!
- Como eu ia saber que a garota era casada? ela era de uma agência!
- Então vou processar essa agência! Que agência que é?
- Ah, é uma agência do meu primo, mas o cnpj é de um açougue.
- Só podia ser teu parente, né, Borja?
(silêncio)
ele continuou:
- E semana que vem, vou querer outra festa, com puta no bolo e tudo! E vejam lá se não vão fazer outra cagada, hein?
(silêncio)
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