Embaixo da cama, Carlota inicia sua rotina de procurar chifres na cabeça de cavalos. Pobre do cavalo da vez. No meio da façanha, pisa no penico de louça, enche os sapatinhos de mijo e se engasga com bolas de pó.
No escuro dos olhos da nobreza cega, cavalo e touro não têm diferença e apenas o chifre cravado em suas costas, avermelham a escuridão. Apenas a fumaça expelida do nariz do bovino torna o ar mais respirável no reino do Puxa-pés.
Sem senso de direção, ela abotoa os cascos de bronze e pisoteia na cabeça do cavalo da vez, enquanto o touro de sempre lhe rasga as anáguas já rotas e estupra novamente seu cu, ensanguentando as caras rendas francesas.
Os olhos do cavalo já não brilham mais.
A língua podre da infeliz Infanta sugou toda a sua energia eqüina. Suas unhas negras e sujas, bordadas com missangas e lantejoulas, já arrancaram o coração do cavalo, que nunca teve chifres, a não ser na imaginação fértil de Carlota.
Tarsila e seu cavalinho são expulsos do paraíso.

Um comentário:
:D
apreciado.
:*
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