Circunstancial. O casaco de vison avelhado cheirando a cigarro era tudo que possuía. E a vitrolinha da vovó, que não valia nada.
O mascate lembrou daquela moça por causa dos anéis, vendidos por uma ninharia dias atrás. Ele viu as jóias abandonando os belos dedos, como uma tripulação desesperada em meio ao naufrágio. Deixou o brechó com a vitrolinha debaixo do braço. Era só o que lhe restava.
O dinheiro recebido pelo vison foi gasto com um táxi, com um vestido de noite e com um par de sapatos novos. O sanduíche de mortadela entusiasmou o seu estômago... e a vitrolinha ficou no boteco.
E se foi, pisando firme, como quem ainda poderia ser feliz, destoando no luxo trivial de um lanche no balcão do bar. Estava pronta.
Circunstancial. Suas raízes eram perenes.
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Uma parceria com Hesidro Lanoia
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