quinta-feira, 27 de março de 2008

Boite Roma

Jacqueline acabara o número de streaptease e estava encostada no balcão arrumando umas cervejas na bandeja quando uma colega lhe deu o recado: mesa onze quer um programa.
"Vamos lá", pensou ela, que já trabalhava naquele inferninho há quatro anos. Jacqueline era míope, não enxergava nada a uma certa distância, por isso, encaminhou-se tranquilamente para a mesa onze, sem imaginar a surpresa que lhe aguardava.
A jovem prostituta levou um susto ao ver o senhor que a esperava. Com as duas mãos a cobrir a boca, exclamou:
- Pai??? Pai!!!
- Senta aí, gostosa.
- Ficou maluco? suma daqui!
- Que foi? eu tenho dinheiro, tá aqui! ó! Grana! - o homem começou a tirar as notas de dentro do bolso interno do paletó e jogava sobre os pés da estarrecida garota, que estava diante do motivo dela estar ali naquela boate.
Gersinho, o dono da boate não gostava nada de confusão com suas garotas e foi até onde Jacqueline estava para ver o que estava acontecendo.
- Algum problema, patrão?
- Todos, meu amigo, a piranha acha que não sou bom o suficiente pra ela.
- Jack? o que está havendo?
- Gé, esse homem é meu pai... meu pai, Gé! - falou a garota, já aos prantos.
Gersinho balançou a cabeça negativamente e mandou os seguranças o levarem pra fora. Aos gritos, o homem proferia os piores desaforos à filha.
Abraçada à bandeja de cervejas, Jacqueline olhou para Gersinho, que ajeitava a gola da camisa. Os olhos úmidos e borrados de rímel a deixavam mais bonita.
- Sabe, Gé... tem tanto tempo que estou aqui, mas nunca te disse uma coisa: tu é como um pai pra mim, sacou? valeu, cara.
- Encerra isso aqui por hoje, guria. Ao vê-la se afastar, de calcinha vermelha fio-dental, com a mão a segurar os cabelos na altura na nuca, Gersinho limpou o suor da testa e sentiu pena dela, muita pena. Pelo menos àquela hora, o filho-da-mãe estava tendo o que merecia.

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