quinta-feira, 27 de março de 2008
O Sargento Gusmão
Chegou em casa ofegante, após encontrar com o amante. Nunca deixava pista, seu álibi era o dentista e quando caísse o último dente, diria que estava doente e assim ia levando, a todos engananando por anos e anos, desde a infância, cercado de ignorância, aprendeu a fingir, mentir, omitir... Beijou sem vontade, perdeu castidade na presença do pai, para provar que era macho e sossegar o seu facho de querer ser mulher. Na casa de tolerância, perdeu a esperança de ter seu espaço no mundo. Mergulhou num abismo profundo e cresceu. Daquilo que era, sentia vergonha, seu pai lhe cobrava honra. Esgotado, derrotado, decidiu acabar de vez com o sofrimento, arrumando um casamento. Durante o namoro, agiu com decoro, moço respeitador e a moça, uma flor. Muito religiosa, ia toda semana na missa, a menina submissa. Casou com Melissa pensando no cunhado, seu primeiro pecado. Passado difícil, serviu quartel; presente cruel: marido infiel, é pai ausente de um adolescente com fama de violento, mas conhecido como o filho do grande Sargento Gusmão, por quem todos tinham admiração e respeito. Se havia homem, bom, ele era o maior exemplo. De estragar a vida que inventou, é do que ele mais tem medo.
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