quinta-feira, 27 de março de 2008

Pétalas de Rosele

A vida de Rosele era cheia de espinhos, mas ela era moça bonita, nova e alegre que trabalha das onze às oito como garçonete num restaurante. Entre as mesas, a jovem morena dança, canta e espalha seu perfume de flor."Bebidas, senhor? com gelo e limão? filé mal ou bem-passado? muito obrigada, senhora, volte sempre".
À noite, Rosele vira Daysi. Troca o jeans e a camisa branca por mini-saia e mini-blusa e vai para a calçada ganhar a vida. Sob o corpo do cliente, a jovem morena, dança, geme e abre sua flor. "Gosta de submissa? Faço de tudo, o que pedir"
Aos sábados, ela troca a calçada pelo terreiro de umbanda. No meio de mães-de santo e filhos do terreiro, Rosele coloca uma flor no cabelo, gira, canta e roda a saia vermelha. "Quer conselho, misifia? Qual seu desejo? Para a Pombagira, não existe desejo impossível".
Quando não está a servir alguém, Rosele descansa e sonha. E nos sonhos, ela se vê rodeada de anjos, que cantam e dançam para ela. Belos escravos e escravas abrem passagem para um cavalheiro vestido de branco, que beija a sua mão e lhe entrega uma flor.

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