terça-feira, 18 de março de 2008

Cátia Perigosa - Begins


Riu.
Sentiu sua razão escorrer pelo o ralo quando o conheceu:

Padre, Igreja enfeitada com rosas brancas, padrinhos e damas de honra. Aquilo não significava nada para ela. A noiva era sua própria mãe, mas as duas viviam distantes desde o divórcio.

Ela se aproximou e fez menção de abraçar o pai, mas este se limitou apenas a segurar suas mãos delicadas num gesto meramente cordial.

- Pai, você viu a Lea? – perguntou, confusa. Cátia era apenas uma criança quando Lea morreu afogada na piscina... Foi um acidente, mas seu pai nunca se convencera disto.

Apresentou-se ao noivo. Ele, nervoso e inquieto, apenas comentou sobre a semelhança física entre Cátia e a mãe. Ela encantada, já se imaginava transando com ele numa praia deserta, grávida de gêmeos.A garota se afastou e correu até a limousine da noiva.

Entrou, sentou-se ao lado da mãe e em seguida, tirou delicadamente a pistola de dentro da bolsinha dourada. Apontou para a cabeça da mulher e pediu ao Choffeur que discretamente, saísse com o carro ou senão, todos iriam morrer.

- Cátia, Por que está fazendo isso? – perguntou a noiva, aflita, sem acreditar que aquilo estava acontecendo no dia do seu casamento.

- Cála a boca! - gritou Cátia, desconcertada, pois nem ao menos ela, sabia ao certo o motivo, só sentia a necessidade de fazer.

O celular da vítima começou a tocar e ela chorou convulsivamente, imaginando a preocupação de todos com sua demora. Cátia jogou o objeto pela janela.

- Você o ama? - perguntou para a mãe, que balançou a cabeça afirmativamente.
- Eu também o amo. Vagabunda! E com uma coronhada na cabeça, fez a rival desmaiar no banco de trás do carro.
- Pára esse carro. Cai fora! Cai fora!
O choffeur obedeceu e antes que saísse do automóvel, levou um tiro pelas costas. Cátia pulou para o banco da frente, chutou o corpo para fora do veículo, disparou mais algumas vezes e resolveu colocá-lo dentro do porta-malas.

Não sabia que era tão forte. Voltou para o carro e acelerou. O suor escorria pela testa coberta de maquilagem. Ela fitou-se no espelho: Era uma linda assassina de dezoito anos, parecida com uma princesa. De vez em quando, olhava para trás e contemplava, com um sorriso mórbido, a noiva desfalecida.

Riu.
Seus pudores escorreram pelo o ralo quando conheceu seu primeiro amor...
Nela, na vagabunda, foram três tiros ao todo... nenhuma lágrima pingou do cano da pistola.

Cátia foi obrigada a viver escondida depois daquilo. Escondeu-se de tudo, menos do amor obsessivo pelo noivo da sua mãe. "Como era mesmo o nome dele? - Foda-se!"

O reencontro

Acordou amarrado e amordaçado num galpão escuro de madeira. Só lembrava que Cátia, a enteada bateu à sua porta, muito assustada, dizendo ter fugido do cativeiro, onde seqüestradores mantinham a mãe aprisionada.

Ela o abraçou emocionada, pedindo ajuda para resgatá-la, porém, ela o impediu de chamar a polícia imediatamente, disse que estava muito cansada e que fariam isso no dia seguinte. Ele desconfiou daquela atitude e fez menção de ligar para a polícia. Ela se insinuou, se despiu e pediu para ser possuída. Ele a rejeitou e... não lembrava de mais nada...

- Oi. – disse Cátia ao cativo.- mmmfmmmmmmfmmmm
- Cale-se, você não vê que está amordaçado, imbecil? Tenho uma péssima notícia... Ei, quer escutar? Não te amo mais. Não te amo mais, entendeu? (Dois tapas na cara dele, um de cada lado)

Cátia apontou a arma para o rosto dele e falou:
- Por sua culpa, matei minha mãezinha... minha querida mãezinha... porque eu achava que iríamos ser felizes para sempre se ela... Ohhh... mas eu cometi um erro, porque você não me quis...

Nele, no desgraçado, foi um tiro e nenhuma lágrima. Ele mereceu. A morte da mãe estava vingada.
Mas aquele tiro não tinha conseguido acalmar seu coração magoado então, antes de subir na moto, ela incendiou o galpão.

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