domingo, 24 de fevereiro de 2008

Old School

imagem: saudade da carpa (ükma)
Barba branca

Old School

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Oxigenada

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Depressão


- Trezentas pratas, Marujo - disse ela, abotoando o sutiã, sem conseguir encarar novamente o par de olhos azuis opacos e remelentos.

- Eu disse que conseguiria o dinheiro, não disse? - falou o velho lobo do mar, ajeitando as notas entre os seios da jovem prostituta.

A garota saiu do barco nauseada com o cheiro de peixe e cachaça impregnados em seu corpo e poucos metros adiante, desmaiou.


A partir daquele dia, sonhou todas as noites com a carpa vermelha penetrando-lhe as estranhas. Acordava sôfrega e bebia muito depois de cada sonho. Certa noite, deixou o companheiro de costas largas e peludas dormindo e correu até o cais, sem saber ao certo o que estava fazendo. Encontrou o barco ancorado no mesmo lugar, mas estava vazio.


Aliviada, decidiu ir embora, quando foi surpreendida pelo Velho Marujo. Seu coração disparou, suas pernas fraquejaram e ela entendeu.


-Eu amo você, Marujo. - declarou-se.

Ele riu, mostrando os dentes amarelos. Era sua primeira vez com amor. Foi a a última vez dele com amor.


Sobre o corpo sem vida, ela chorou. Depois, conformada, reproduziu a carpa vermelha numa folha de papel de pão, beijou-lhe pela última vez e partiu.


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- Quanto custa? - perguntou ela, mostrando o desenho.

- Duzentas pratas.

- Certo.

- Onde vai ser?

- Entre os seios.

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