quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Gilquinha em: A segunda menopausa.

Gilquinha andava sumida. A pressão nas alturas, seguidos malestares súbitos nos elevadores e uma tristeza muito grande por conta da morte da sua melhor amiga Alvina de oitenta e um anos, vítima de overdose dentro de um cruzeiro universitário. Alvina tinha um corpão, mas não tinha cérbo. Pena.

Quanta encheção essa coisa ruim que queria explodir dentro dela. "Menopausa de novo, doutor?" a primeira nem incomodou.

Justo José não parava de ligar querendo sair com ela.
-- Mas Jota-Jota, eu tô com menopausa!
-- Não fala assim, que eu fico louco! aposto como você tá com o dobro de fogo!
-- Mas não pra essas coisas da tua cabeça, homem! não paga a pena tu vir de avião dessa distância, espera até eu melhorar. Tchau! - que irritação, cruzes... parece coisa de velha ranzinza, nem parecia Gilquinha.

A tragédia se deu no dia que o aparelho de ar-condicionado pifou. Quanto mais chorava, mais calor sentia e sua pressão quase passou dos catorze por nove.

-- Alô, Jussara? liga para o eletricista, mas não me manda criança, não! Eles só fazem cagada.

Antônio demorou, mas veio. Não parecia muito experiente, mas de certo, era o empregado mais velho que a Jussara conseguiu arrumar. Aparentava uns cinquenta, no máximo.

-- Sr. Antônio, arruma depressa, que tô passando ruim de tanto calorão.
-- É rapidinho, Dona Gilquinha. - ué, sabia até o nome.

Coisa louca, de repente começou a tremer todinha. Ia morrer!

-- Dona Gilquinha?? A senhora está bem?
-- Frio! Frio! Ai, Antônio, vou morrer!
-- Vou pegar um cobertor pra senhora!
-- Ajuda a me levar pro quarto, Antônio.

Ele obedeceu e só saiu de lá no outro dia. Gilquinha melhorou depois da visita de Antônio e ainda garantiu um eletricista de confiança pro resto da vida. Com pesar, lembrou da Alvina, que tinha corpão, mas não tinha cérbo. Coitada.

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